Lima, online 22 nov (EFE).- A Casa Branca afirmou hoje que haverá uma nova rodada das conversas de seis lados sobre a desnuclearização da Coréia do Norte no início de dezembro em Pequim.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reuniu-se hoje com dois dos participantes dessas negociações, o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, e o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, à margem da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizado na capital peruana.
Bush reuniu-se separadamente com os dois governantes e também em um breve encontro trilateral antes do início das sessões da Apec.
Segundo declarações da porta-voz da Casa Branca Dana Perino à imprensa, nessas reuniões os países chegaram a um acordo para uma nova rodada das conversas de seis lados no início de dezembro, mas a data concreta será anunciada pela China, que será o país anfitrião.
O objetivo da nova rodada, segundo Perino, será tentar chegar a um acordo sobre o processo para verificar a declaração norte-coreana sobre suas instalações e materiais nucleares e sobre o desmantelamento de seu programa atômico.
“Eles o decidiram e a China o anunciará. Há uma sensação de que esta reunião vai acontecer”, declarou a porta-voz da Casa Branca.
Por sua vez, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe, afirmou que os governantes que participam das negociações estão unidos para tratar de convencer a Coréia do Norte a optar pela desnuclearização.
Das negociações de seis países para tentar persuadir Pyongyang a renunciar a seu programa nuclear em troca de incentivos políticos e econômicos, um processo iniciado em 2003, mas que avançou muito lentamente, participam as duas Coréias, a China, os EUA, a Rússia e o Japão.
Na sexta-feira passada, o presidente americano se encontrou com o chefe de Estado chinês, Hu Jintao, e se reunirá hoje também com o governante russo, Dmitri Medvedev.
Bush quer sair da cúpula com uma data definida para retomar as conversas de seis lados em Pequim e deixar o processo canalizado para seu sucessor na Casa Branca a partir de 20 de janeiro, o democrata Barack Obama.
O processo de negociações com Pyongyang pareceu ter retomado o caminho em outubro, quando a Coréia do Norte aceitou cancelar os passos que tinha dado para retomar as atividades nucleares em seu reator de Yongbyon.
Como medida recíproca, os EUA anunciaram a retirada da Coréia do Norte de sua lista de países patrocinadores do terrorismo, o que permite a retirada de algumas sanções econômicas contra o regime de Pyongyang.
No entanto, o processo voltou a encontrar um empecilho na resistência da Coréia do Norte em permitir o pleno acesso dos inspetores internacionais a suas instalações nucleares.
Antes do início da cúpula de chefes de Estado e de Governo, Bush fez também uma defesa do livre-comércio em discurso para empresários dos 21 países-membros do Apec.
O presidente, em fim de mandato, afirmou que “é essencial que os Governos resistam à tentação de reagir de modo desmesurado e de impor regulações que afoguem o crescimento econômico”.
Bush insistiu em que as bases para a recuperação são “os mercados abertos, o livre-comércio e a liberdade da população”.
O presidente americano lembrou que o livre-comércio foi uma das prioridades de seu mandato e que em seus oito anos no Governo assinou 11 tratados internacionais neste sentido.
Além disso, se encontram pendentes de aprovação no Congresso dos EUA tratados com Colômbia, Panamá e Coréia do Sul.
Em seu discurso, Bush aproveitou para reivindicar a ratificação especialmente do tratado pendente com a Colômbia.
“O Congresso e o nosso Governo não devem voltar as costas a um amigo como (o presidente colombiano) Álvaro Uribe”, disse Bush. EFE