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EUA condena anúncio do presidente da Nicarágua de que eliminará eleições

Secretário de Estado dos EUA afirmou que fala do presidente nicaraguense evidencia caráter autoritário do governo e defendeu o direito da população de escolher seus líderes por meio de eleições democráticas

Redação Jornal de Brasília

21/07/2026 12h38

les coprésidents et époux daniel ortega et rosario murillo célèbrent lors d'une cérémonie le 47e anniversaire de la victoire de la révolution sandiniste

Foto: CESAR PEREZ / EL 19 DIGITAL / AFP

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, condenou nesta terça-feira (21) as declarações do presidente nicaraguense, Daniel Ortega, que descartou qualquer possibilidade de eleições em seu país que permitissem à oposição exilada chegar ao poder.

Ortega governou na década de 1980 e voltou à presidência em 2007. Desde então exerce o poder com medidas que anularam seus rivais.

“A declaração de Daniel Ortega de que, sob a ditadura de sua família, a Nicarágua jamais realizará eleições novamente, demonstra sua verdadeira natureza autoritária”, disse Rubio em um comunicado, no qual pediu à comunidade internacional que “una forças” para mostrar à “ditadura que ela não pode continuar fingindo que nada está acontecendo”.

“O povo nicaraguense tem direito de eleger seus próprios líderes mediante eleições democráticas”, acrescentou Rubio.

A Nicarágua realizaria eleições gerais em novembro, mas há um ano e meio uma profunda reforma constitucional ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos, de modo que as eleições deveriam ocorrer em novembro de 2027.

“Que esqueçam, aqui (na Nicarágua) não haverá mais eleições para que tentem por essa via agarrar o governo e agarrar o poder”, declarou Ortega no domingo (19) ao se referir a seus opositores em um ato pelo 47º aniversário da Revolução Sandinista, realizado em Managua.

Ortega, de 80 anos, e sua esposa Rosario Murillo, nomeada copresidente, governam a Nicarágua com poder absoluto e um forte controle sobre a sociedade nicaraguense, sobretudo após os protestos de 2018, cuja repressão deixou mais de 300 mortos, segundo a ONU.

Opositores foram presos ou forçados ao exílio, despojados de sua nacionalidade e de seus bens. Jornalistas, intelectuais e religiosos críticos ao governo tiverem destinos semelhantes. Milhares de nicaraguenses vivem refugiados na Costa Rica, Espanha e Estados Unidos.

AFP

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