A Câmara de Representantes dos EUA aprovou nesta quarta-feira uma resolução de solidariedade com o prisioneiro político e Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, e além disso pede que o Governo chinês ponha o ativista em liberdade.
A resolução, aprovada com 402 votos a favor e um contra, foi apresentada pelo legislador republicano Chris Smith, membro de um grupo bipartidário que em fevereiro propôs a candidatura de Liu Xiaobo ao prêmio junto aos ativistas de direitos humanos Chen Guangcheng e Gao Zhisheng.
Durante o debate da medida, Smith disse que a resolução expressa o “profundo respeito e solidariedade” do Congresso dos EUA com Liu Xiaobo e todos aqueles que advogam de forma pacífica pelos direitos humanos e a democracia na China.
A medida, acrescentou Smith, não só honra Liu Xiaobo, mas também “todos os que promoveram a reforma democrática na China, incluindo todos os que participaram dos protestos da Praça da Paz Celestial, em 1989”.
Na terça-feira, quando a medida foi debatida, a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, respaldou a resolução, que condena os abusos aos direitos humanos na China e destacou as lutas do ativista chinês, que cumpre uma sentença carcerária.
Nancy, que criticou contundentemente o tratamento aos dissidentes na China, disse que a aprovação da medida “envia uma clara mensagem de apoio aos direitos humanos e à democracia no país”.
Smith e outros legisladores pediram ao Governo de Pequim que coloque em liberdade tanto Liu como o restante dos prisioneiros políticos e religiosos.
Liu, escritor de 54 anos, foi sentenciado a 11 anos de prisão em 25 de dezembro de 2009 sob acusações de tentativa de subversão, mas se encontrava sob custódia desde dezembro de 2008 por seu papel em uma campanha a favor das eleições e da liberdade de associação.
A resolução aprovada nesta quarta-feira rejeita os argumentos do Governo chinês de que o encarceramento de Liu Xiaobo seja um assunto interno.
Liu foi nomeado Prêmio Nobel da Paz 2010 em outubro por seu prolongado ativismo pacífico a favor da democracia e dos direitos humanos na China, indicaram então as autoridades norueguesas.
As autoridades chinesas, no entanto, denunciaram a nomeação de Liu e ordenaram a prisão domiciliar de sua esposa, Liu Xia, que não poderá participar da cerimônia de entrega do prêmio, nesta sexta-feira em Oslo.