Os Estados Unidos, Afeganistão e Paquistão apressaram-se em apostar em um “recomeço” de suas relações, um dia após a morte do líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden.
Representantes dos três países se reuniram nesta terça-feira pela primeira vez desde a eliminação de Bin Laden, em um encontro em Islamabad fixado anteriormente e no qual demonstraram sua vontade de virar a página o mais rápido possível.
Após o encontro, o enviado especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, Marc Grossman; o secretário de Relações Exteriores paquistanesa, Salman Bashir, e o vice-ministro de Exteriores afegão, Jaweed Luden, concederam entrevista coletiva para expor seus planos.
“Pode existir todas as conspirações que os senhores quiserem, como, por exemplo, que Bin Laden está vivo”, disse em tom irônico Grossman, diante das perguntas dos jornalistas sobre as versões, em algumas ocasiões inverossímeis, que se multiplicaram sobre as circunstâncias que cercam o fim do líder terrorista.
“A cooperação existiu no passado e existe hoje. O Paquistão foi uma vítima do terrorismo”, afirmou Grossman, quem defendeu a versão oficial sobre a operação que colocou fim a Bin Laden – executado por militares norte-americanos com a colaboração da inteligência paquistanesa -, que classificou de “benefício conjunto”.
Bashir rejeitou as perguntas que colocavam em dúvida a morte de Bin Laden, e menosprezou as que se refiram a “quem” executou a operação, ao redor da qual giram inúmeras especulações na imprensa paquistanesa, como a qual morreu por disparos de um de seus guardas.
“Temos de olhar para o futuro, o assunto de Osama bin Laden é passado”, declarou o secretário de Relações Exteriores paquistanês, quem expressou o desejo partilhado que o desaparecimento do líder da Al Qaeda sirva para abrir “um novo começo” na região.
“O Paquistão fez uma sólida cooperação antiterrorista e grandes sacrifícios. Encaramos o assunto como prioritário. Não permitiremos que nosso território seja usado por terroristas”, reforçou Bashir.
Segundo a agência estatal “APP”, o vice-ministro afegão compartilhou os desejos de avançar na cooperação e lamentou que seu país tenha sido “o centro da guerra contra o terrorismo durante uma década”, em alusão à invasão dos EUA após os atentados de 11-9, reivindicados pela Al Qaeda, cujo líder estava no Afeganistão.
Luden destacou que Bin Laden tinha “em suas mãos sangue de afegãos inocentes” e comentou que seu país, neste ano mais do que nunca, está perto de uma “visão de paz”, em aparente alusão ao impulso que querem dar as autoridades ao diálogo com os grupos insurgentes.
Anterior a morte de Bin Laden, Afeganistão e Paquistão tinham iniciado uma assembleia de paz conjunta, com a participação de seus exércitos e serviços secretos, para dialogar com o movimento talibã e outros grupos armados para buscar uma saída política à guerra em território afegão.
Os Estados Unidos haviam demonstrado em princípio reticência a esse processo, mas ultimamente tinham se mostrado mais favoráveis a aceitar na medida em que se afastava a possibilidade de uma solução pelas armas.
A dois meses do início da retirada militar estrangeira, prevista para julho, as forças afegãs se preparam para assumir a segurança no processo que não concluirá em todo o país até o fim de 2014 e no qual haverá tempo de sobra para comprovar as consequências do desaparecimento do homem mais procurado do mundo.