O Governo dos Estados Unidos advertiu o Reino Unido, Austrália, Israel, Noruega, Dinamarca e Canadá da possível publicação de novos documentos americanos pelo portal WikiLeaks.
O próprio site, fundado por Julian Assange, revelou nesta sexta-feira em sua conta do Twitter: “Agora vemos que cada ditador de araque no mundo é informado antes da publicação” dos documentos.
O Departamento de Estado suspeita que provavelmente centenas de milhares de documentos secretos de embaixadas americanas vão ser divulgados, um número que alguns jornais dos países envolvidos estimam em até três milhões.
Na quarta-feira, o porta-voz do departamento, Philip Crowley, declarou que as representações americanas haviam começado a informar os Governos do possível conteúdo das próximas revelações do WikiLeaks, que no início da semana advertiu que a próxima publicação “será sete vezes maior” do que os 391 mil documentos que divulgou em outubro sobre a Guerra do Iraque.
Segundo o jornal “The Washington Post”, é possível que haja documentos que demonstrem que alguns aliados dos EUA adotam medidas que contradizem suas políticas oficiais.
O jornal “Al-Hayat”, com sede em Londres, acredita que o WikiLeaks planeja publicar documentos que indicam que a Turquia pode ter ajudado a Al Qaeda no Iraque e que os Estados Unidos podem ter feito o mesmo com o grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que está na “lista negra” de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado.
Diante deste panorama, a embaixada americana em Tel Aviv informou ao Governo israelense que alguns dados podem se referir à relação entre ambos os países, segundo o jornal israelense “Ha’aretz”.
Além disso, a embaixadora dos EUA na Dinamarca, Laurie Fulton, informou Copenhague, segundo a imprensa dinamarquesa, e seu colega em Londres, Louis B. Susman, fez o mesmo com Downing Street, de acordo com o site do jornal “The Telegraph”.
Já o embaixador no Canadá, David Jacobson, entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores, Lawrence Cannon, para advertir sobre o risco do vazamento, segundo o canal de televisão público “CBC”, que revela que é provável que os documentos sejam publicados nesta sexta-feira ou no sábado.
A representação americana na Noruega também foi advertida, de acordo com a rede pública norueguesa “NRK”, e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, conversou sobre a provável publicação com seu colega australiano, Kevin Rudd, segundo o “Sydney Morning Herald”.
Há a hipótese, segundo o site de Assenge, que o “The New York Times”, que fez parte do reduzido número de publicações às quais o WikiLeaks entregou previamente o material a ser divulgado, ter informado a Casa Branca do vazamento na segunda-feira.
O WikiLeaks disse no Twitter que sofreu uma “intensa pressão durante meses” por conta da próxima publicação dos documentos secretos.