Os Estados Unidos acusaram nesta segunda-feira o Governo da Síria de violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas ao permitir que um grupo de criminosos atacasse a sede da legação americana em Damasco e destacou que exigirá do regime árabe uma compensação pelos danos.
“O Governo sírio não cumpriu suas obrigações no marco da Convenção de Viena de proteger as instalações diplomáticas”, afirmou em sua entrevista coletiva diária a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, que qualificou o ocorrido de “absolutamente degradante”.
“Avaliamos que o Governo sírio tinha a responsabilidade de defender nossa embaixada, e não o fez”, ressaltou Nuland, que expressou também sua preocupação com o fato de que a televisão estatal pareça instigar os ataques.
A porta-voz apontou que cerca de 300 “pistoleiros” cercaram o edifício da embaixada, vários conseguiram pular a grade que protege a legação e tentaram invadir as instalações antes de serem dispersos por marines (fuzileiros navais) americanos.
Nuland indicou que os invasores não chegaram a entrar na delegação diplomática, mas conseguiram subir ao telhado, além de pichar paredes do prédio, quebrar janelas e câmeras de segurança e jogar verduras e frutas contra as instalações.
“Obviamente exigiremos responsabilidades do Governo sírio pelos danos”, afirmou a porta-voz, que indicou que os manifestantes atacaram também a residência do embaixador americano, onde causaram danos não calculados.
O Departamento de Estado americano assegurou que o ataque não deixou vítimas.
O incidente ocorre poucos dias após a visita do embaixador dos EUA em Damasco, Robert Ford, à cidade de Hama, no centro do país, para expressar solidariedade com aqueles que protestam contra o regime do presidente sírio, Bashar al Assad.
Nuland negou nesta segunda-feira “categoricamente” as acusações do regime de Assad de que Ford estaria incitando às revoltas entre a população.
“O fato de que Ford pôde chegar até ali e reunir-se com pessoas comuns, nem sequer líderes, conversar com eles e deixar-lhes claro que estamos do lado do povo sírio é essencial”, afirmou a porta-voz.