O candidato de esquerda à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, encerrou neste sábado (13) sua campanha em um evento com milhares de pessoas na capital, Bogotá, a uma semana do segundo turno no qual enfrentará o ultradireitista Abelardo de la Espriella.
O senador aliado do presidente Gustavo Petro era favorito nas pesquisas para o primeiro turno de maio, mas ficou surpreendentemente em segundo lugar, por uma margem estreita, atrás de De la Espriella, um advogado excêntrico admirador de Donald Trump.
O segundo turno será realizado em 21 de junho.
“Vamos governar, acima de tudo, com o povo, com os movimentos sociais, com as organizações populares”, disse neste sábado Cepeda em um discurso entusiasmado diante de milhares de apoiadores durante o encerramento de sua campanha no centro de Bogotá.
“Está na cara, dá para sentir, Cepeda presidente”, gritavam os presentes.
Alguns levavam tambores e instrumentos musicais; outros, bandeiras da Colômbia, da Palestina e do movimento indígena.
Camila Cristancho, uma publicitária de 35 anos, compareceu ao evento para apoiar o candidato de esquerda e aguardava seu discurso final de campanha envolta em uma bandeira da comunidade LGBTI.
“Estou aqui como mulher diversa e lésbica, como esposa de um homem trans”, disse à AFP.
Nesta eleição, “estão em jogo direitos que pensávamos serem básicos”, acrescentou a mulher, que sente “tristeza” e “angústia” diante de uma possível vitória de De la Espriella.
O ultradireitista, que propõe uma política de mão dura contra o crime, apresenta-se como um “outsider” da política colombiana, embora para o segundo turno tenha recebido o apoio da maioria dos partidos tradicionais de direita do país.
“Temos que fazer um grande esforço para que forças obscuras, fascistas, não cheguem ao poder”, disse Carlos Rocca, músico de 72 anos.
Segundo ele, De la Espriella representa “o retrocesso de tudo” o que foi conquistado por Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, que alcançou uma redução histórica da pobreza e tentou negociar a paz com os principais grupos armados do país, embora sem sucesso.
Nos últimos anos, as organizações criminosas se expandiram em várias regiões do país, que vive sua pior onda de violência na última década, com frequentes atentados, massacres e assassinatos seletivos.
Cepeda reconhece o fracasso de vários diálogos, mas defende a política de negociações da qual foi um dos arquitetos e o histórico acordo de paz de 2016 que desmobilizou a guerrilha das Farc.
“Vamos apostar na vida, vamos apostar na paz”, declarou.
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