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Especialista pede novo exame para determinar se Allende se suicidou

Arquivo Geral

10/09/2008 0h00

Um legista chileno questionou a versão de que o presidente Salvador Allende se suicidou durante o golpe militar de 11 de setembro de 1973 e recomenda uma nova análise para estabelecer com precisão a causa de sua morte.

O médico legista Luis Ravanal, information pills que elaborou o relatório a pedido de dois advogados e sobre a base da documentação disponível sobre a morte de Allende, dosage afirma que o dirigente socialista recebeu dois disparos, cheapest de armas diferentes.

“As lesões descritas no relatório de autópsia do presidente Salvador Allende Gossens não são compatíveis com um disparo de tipo suicida”, assegura Ravanal, segundo uma reportagem publicada na edição de hoje da revista chilena El Periodista.

A deputada Isabel Allende, filha do ex-presidente (1970-1973), disse, em resposta, que sua família tem “a convicção” de que seu pai morreu devido a um só disparo.

“Como família, nós só vamos dar credibilidade à versão que até agora sempre foi dada pelos médicos. Não sei na realidade com que propósito divulgam este tipo de informação, que, na nossa opinião, só desqualifica a versão de pessoas que têm seriedade a toda prova”, afirmou a parlamentar socialista.

Além disso, levantar “notícias deste tipo justo quando estamos a dias de lembrar os 35 anos deste triste fato, definitivamente, isto só traz dor e não ajuda absolutamente em nada”, concluiu.

Segundo o relatório de autópsia, feito por José Luis Vásquez, médico do Hospital Militar, Allende morreu por causa de “um ferimento de bala cérvico-buco-crânio-encefálico recente, com saída de projétil”.

O ferimento foi produzido por um disparo “de curta distância”, provavelmente “com o cano da arma diretamente apoiado sobre os tegumentos (tecidos)” e que poderia ter sido “feito pela própria pessoa”.

As dúvidas sobre a veracidade desse relatório se baseiam, entre outras razões, em que o médico Vásquez é o mesmo que, em julho de 1976, disse que o diplomata espanhol Carmelo Soria tinha morrido em um acidente de trânsito, quando na verdade, como ficou comprovado mais tarde, foi assassinado por agentes da Polícia secreta.

Ravanal afirma, sem explicar como, que constatou a existência de pelo menos duas marcas de tiro, provocadas por armas diferentes, uma que provoca um orifício de saída arredondado na zona posterior da abóbada craniana e o outro que fez explodir o crânio.

Ele acrescenta que, por no relatório de autópsia não terem sido detectados sinais de vitalidade no ferimento submentoniano (o primeiro), “é possível deduzir que se trata de uma ferida pos-mortem”.

De acordo com Ravanal, esse disparo “corresponde aos chamados de curta distância, o que demonstra que não foi feito à queima-roupa ou com apoio e portanto não corresponde a uma lesão típica de tipo suicida”.

Até agora, foi aceita como válida a versão, corroborada inclusive por colaboradores de Allende que estavam no Palácio da Moeda em 11 de setembro de 1973.

Segundo eles, quando o Palácio ardia após ser bombardeado pelos golpistas, Allende preferiu morrer a se render e se matou com um tiro no queixo com um fuzil de assalto AK-47 com culatra retrátil que tinha ganhado de Fidel Castro.

Em todo caso, Luis Ravanal recomenda a realização de uma nova perícia para estabelecer com precisão a causa e natureza da morte de Allende.

Após a morte do presidente, o corpo desse foi enterrado em um túmulo marcado N.N. em um cemitério de Viña del Mar, onde permaneceu até depois da recuperação da democracia, em 1990, quando foi levado a Santiago e sepultado em um mausoléu de sua família, no Cemitério Geral.



 

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