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Mundo

Espanha retorna a Assembleia Geral da ONU

Arquivo Geral

24/09/2012 16h52

 “Spain is back” (a Espanha está de volta). É o que o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, disse à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em sua primeira reunião bilateral, e é a frase que resume a estreia do governo de Mariano Rajoy na Assembleia Geral da ONU.

Rajoy estreará amanhã, terça-feira, na tribuna da Assembleia das Nações Unidas, e defenderá diante dos 100 chefes de Estado e de governo e dos mais de 200 ministros presentes a candidatura da Espanha como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU para o biênio 2015-2016.

O Executivo espanhol está convencido de que há razões mais que suficientes para que essa intenção se torne realidade e confia em que a campanha que começa agora rumo a essa meta dê frutos em outubro de 2014, que é quando o mistério do país escolhido será resolvido.

O lema “A Espanha voltou” estará presente também nas dezenas de reuniões que o García-Margallo, autor da frase, vai protagonizar em Nova York, onde pretende lembrar que o país esteve há anos na vanguarda do cenário internacional e agora quer retomar esse status.

O período de José Luis Rodríguez Zapatero, para o atual governo espanhol, foi um parêntese durante o qual Madri perdeu força aos olhos de muitos países e, especialmente, dos Estados Unidos.

Mas apesar das críticas, o atual Executivo está lançando mão de uma iniciativa pessoal de Zapatero para tentar conseguir o que está propondo agora: a Aliança de Civilizações.

Foi na estreia do ex-presidente do governo diante da ONU que, depois de justificar a retirada das tropas espanholas do Iraque, o mandatário levantou a proposta da Aliança.

A iniciativa tem história. Foi assumida pela ONU, impulsionada principalmente pela Espanha e pela Turquia, continua vigente, muitos países estão comprometidos com ela, e, apesar das ressalvas e críticas com que foi apoiada por Rajoy e outros dirigentes do Partido Popular – então de oposição -, o atual governo mantém seu compromisso com a iniciativa.

Os interesses da Espanha contribuem para isso: se a Turquia é um dos seus dois concorrentes por uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas (o outro é a Nova Zelândia), além de ser copatrocinadora da Aliança, qualquer demonstração de apoio menor à mesma pode reduzir votos entre outros países. E a disputa será muito acirrada.

É inevitável que a situação econômica influencie na contribuição espanhola à Aliança para o ano que vem, que será concretizada quando o projeto de lei de orçamento geral do Estado for apresentado, nesta semana.

A influência do ministro da Fazenda espanhol, Cristóbal Montoro, sobre os ministérios é forte o suficiente para que conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU tenha um custo reduzido: prevê-se que fique abaixo dos US$ 2,6 milhões, segundo fontes do Executivo de Madri.

O que o governo espera que não ofusque seu objetivo são os olhares que a Espanha atrai sobre a possibilidade de pedir uma nova ajuda econômica da UE. “Não está decidido. Está sendo estudado e será feito o que melhor convier aos interesses do país”, foi repetido várias vezes no Executivo, reiterando as palavras de Mariano Rajoy.

Espera-se que o valor agregado da Espanha nas relações com a América Latina ajude, assim como o dos laços que mantém com o norte da África, principalmente em um momento em que se apura a evolução da “Primavera árabe” e se multiplicam os contatos para evitar que o Sael se transforme em um novo Afeganistão.

São argumentos que a Espanha acredita que a ajudarão a integrar o Conselho de Segurança da ONU, ao qual o país chegaria pela quinta vez – a última delas no biênio 2003-2004, com José María Aznar.

“Vamos à luta”, diz a delegação espanhola, “vamos ganhar”, preveem algumas vozes. Para o governo, o posto seria um símbolo do retorno da Espanha.

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