A ministra das Relações Exteriores da Espanha, Trinidad Jiménez, concluiu nesta quinta-feira sua visita oficial ao Brasil e reiterou a vontade do Governo de Madri de ampliar a cooperação bilateral para beneficiar países menos desenvolvidos.
“Reafirmamos a vontade de trabalharmos juntos em um campo que, para a Espanha, é tão importante quanto a cooperação”, declarou a chanceler, que afirmou que, após esta visita, “ampliaram horizontes” para ajudar em conjunto países das América Central, Caribe e África, entre outras regiões.
Jiménez se reuniu com o chanceler Antonio Patriota para analisar agendas bilaterais, regionais e globais, e assinaram um acordo que estabelece novas bases para uma cooperação triangular com países menos desenvolvidos.
No texto, destacam-se os avanços do Brasil em termos sociais nas últimas décadas, que podem servir de referência para outras nações mais pobres.
Em outro parágrafo do documento, ambos os ministros também avaliaram “a importância crescente” e “as potencialidades da cooperação triangular como nova ferramenta” de apoio ao eixo Sul-Sul.
Os projetos desenvolvidos por Brasil e Espanha serão administrados por um comitê que será integrado por membros da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
Jiménez e Patriota acreditam que o novo acordo permitirá melhorar e ampliar planos de cooperação que os dois países já iniciaram “com sucesso” no Haiti e em alguns países das América Central.
Durante o encontro, também foi discutida a “recuperação do vigor” no comércio bilateral, que, segundo dados do Governo brasileiro, chegou a US$ 6,7 bilhões em 2010, e mantém um ritmo crescente nos primeiros meses deste ano.
Patriota disse que outros assuntos também foram tratados, como a cúpula que o país realizará com a União Europeia (UE) em outubro dentro da parceria estratégica que mantém com o bloco comunitário.
Ao falar sobre as aspirações do Brasil a um posto permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Jiménez afirmou que o país “tem um papel que a cada dia se torna mais proeminente no cenário internacional” e o considera “importante para o mundo, a segurança, o desenvolvimento e a paz”.
No entanto, a chanceler explicou que, no debate sobre a necessidade de “um maior equilíbrio” na representação dos países na ONU, a Espanha prefere “ampliar o número de assentos não-permanentes no Conselho de Segurança”.
O último ato da visita oficial da ministra ao Brasil foi realizado na embaixada da Espanha, onde Jiménez prestou homenagem ao assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.
A condecoração lhe foi outorgada por seu trabalho em favor dos laços entre Espanha e Brasil e foi considerada por García como “uma celebração dessas relações”, que se fortaleceram durante os últimos anos na política, na economia e na cultura.