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Mundo

Escalada da violência no Afeganistão deixa 58 mortos

Arquivo Geral

19/05/2011 13h59

Diversos incidentes armados causaram a morte nesta quinta-feira de pelo menos 58 pessoas no leste do Afeganistão, 35 delas civis, em uma escalada de violência impulsionada pela ofensiva que os talibãs estão realizando em todo o país.

 


No confronto mais grave, um ataque talibã tirou a vida de 35 civis afegãos que trabalhavam nas obras de construção de uma estrada na província de Paktia, na fronteira com o Paquistão, em um episódio que deixou ainda mais de 20 feridos.

Nesse mesmo ataque, que ocorreu de madrugada no distrito de Wazi Zadran, oito insurgentes morreram ao enfrentarem os seguranças da empresa de construção Glaxy Sky, explicou à Agência Efe o porta-voz provincial de Paktia, Rohulla Samun.

O fato desencadeou um tiroteio de duas horas que matou mais de um terço dos 80 funcionários que, segundo a agência afegã “AIP”, se encontravam no local, incluindo operários, engenheiros e seguranças.

Os talibãs reivindicaram o ataque em comunicado divulgado em seu site e elevaram o número de trabalhadores mortos a 40, enquanto um porta-voz dos insurgentes, Zabiula Mujahid, afirmou à “AIP” que o grupo levou inúmeros veículos e armas da construtora.

O episódio ocorreu nas obras de construção de uma via de 30 quilômetros que conecta o distrito de Mosa Khel com a estrada entre Paktia e Khost, duas províncias de uma região turbulenta na fronteira com o Paquistão.



Os talibãs têm como objetivo estratégico o controle da rede de estradas que une as principais cidades do país, por um lado para conseguir recursos mediante a extorsão das companhias construtoras e, por outro, para atrapalhar o transporte de tropas e mercadorias do governo e das forças internacionais da Otan.

Em outro confronto armado na província de Ghazni, também no leste do país, pelo menos 15 supostos talibãs morreram em uma operação das tropas afegãs e internacionais, informou uma fonte da Polícia, que acrescentou que a ação ainda não havia sido concluída e que os militares ainda procuravam insurgentes na região.



Com o fim do inverno no Afeganistão, costuma haver um aumento das ações bélicas tanto das tropas governamentais, quanto dos talibãs, que lançaram no início de maio sua tradicional “ofensiva de primavera”, denominada “Badar” pelos insurgentes.

Por outro lado, nesta quinta-feira continuaram na localidade de Taliqan, na província de Takhar, os protestos pela morte de quatro supostos civis em uma operação da Otan. As manifestações deixaram nesta quarta-feira 12 pessoas mortas e mais de 80 feridas por disparos da Polícia afegã.

Os manifestantes, menos numerosos do que no dia anterior, atacaram novamente a sede da Polícia de Taliqan e três deles ficaram feridos pelos agentes, segundo informou à Efe o porta-voz do governo provincial, Sad Fayiz Mohammad.

Nesta quarta-feira, as notícias das manifestações começaram a ser espalhadas entre os habitantes de Taliqan e a informação de que as tropas internacionais teriam matado quatro civis provocou graves distúrbios e ataques a edifícios oficiais e à base das tropas internacionais.

Um comunicado da Força de Assistência à Segurança em Afeganistão (Isaf) afirmou que os mortos na operação eram “insurgentes” eliminados em uma operação contra um traficante de armas do grupo Movimento Islâmico do Uzbequistão (IMU).

A província de Takhar vinha sendo até agora uma das regiões mais tranquilas do Afeganistão, embora não fique longe da província de Kunduz, muito mais conturbada, e registre a maior penetração do IMU, que busca implantar a “lei islâmica” no Uzbequistão e no resto da Ásia Central.

A atual escalada de violência acontece apenas dois meses antes de julho, quando se inicia, segundo o calendário previsto, a retirada progressiva das tropas dos Estados Unidos e a transferência das competências de segurança às forças afegãs, um processo que provoca incerteza sobre o futuro do país.

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