Um erro dos pilotos provocou o acidente do voo entre Rio de Janeiro e Paris que caiu no Atlântico em 1º de junho de 2009 com 228 pessoas a bordo, segundo as conclusões preliminares apresentadas nesta sexta-feira pelos investigadores.
Os membros da tripulação do AF447 não tinham formação adequada para responder de forma manual um incidente técnico que deteve o piloto automático uma hora e meia depois da decolagem, por isso que tomaram decisões errôneas, indicou nesta sexta-feira o Escritório de Investigação e Análise (BEA), encarregada das pesquisas.
Os pilotos não respeitaram os procedimentos previstos nessas circunstâncias e, com suas ações, provocaram a perda do controle do avião, que levou a uma queda livre até atingir o mar, precisaram os especialistas após a análise das caixas-pretas recuperadas em maio deste ano.
Segundo a sequência de eventos, as sondas de medição de velocidade sofreram um problema técnico derivado do gelo, o que provocou o desligamento do piloto automático, uma situação que não era nova e que podia ser contornada pelos pilotos seguindo determinados protocolos.
Mas o copiloto, de 32 anos, que nesse momento dirigia o aparelho porque o comandante estava em seu intervalo regulamentar, tomou uma decisão que os investigadores não sabem explicar: inclinou o avião mais de 10 graus, frente os cinco que indicam os procedimentos regulamentares.
“Nenhum dos dois copilotos tinha formação para pilotar um avião de forma manual em tal altura”, indicou o responsável da investigação, Alain Bouillard.
O comandante, mais experiente, também não pôde controlar o avião quando chegou ao posto de comando um minuto e meio depois do início do incidente. “Sua formação para este tipo de eventos tinha sido muito curta e datava de muito tempo”, acrescentou Bouillard, que precisou que, além disso, teve que analisar em um curto espaço de tempo informações contraditórias.
Concretamente, quando o comandante retornou à cabine, o alarme de queda livre se desligou porque o computador do avião registrou que o aparelho voava, apesar de sua inclinação excessiva e seguia perdendo altura. “É algo normal, não é que o alarme funcionasse deficientemente”, assinalou Bouillard.
O alarme de queda livre voltou a acender, e os pilotos deveriam reduzir a inclinação do avião. Mas não fizeram. “Por que não respeitaram o alarme? Isso é o que é preciso determinar a partir de agora”, assinalou o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.
Para tentar entender alguns mistérios, criarão uma comissão formada por profissionais de diferentes disciplinas e destinada a conhecer as condições nas quais se produz a resposta dos pilotos.
O alarme de queda livre é a mais importante e o mais sonoro da cabine e se acendeu em três ocasiões, mas os pilotos não aplicaram os procedimentos previstos, sem que neste estágio da investigação se conheça o por que, indicaram.
Assim, o avião continuou com uma inclinação muito elevada, de até 40 graus em algum momento, o que fez com que prosseguisse a queda livre.
Air France, proprietária do avião e responsável pela formação dos pilotos, reagiu assegurando que “nada permite por enquanto questionar as competências técnicas da tripulação”.
A companhia aérea, que junto com o fabricante do aparelho, Airbus, foi processada por homicídio involuntário, e apontou que foi o funcionamento irregular do alarme de queda livre, “em contradição com o estado do avião” o que contribuiu para “dificultar a análise da situação dos pilotos”.
Tanto Air France como Airbus deverão esperar para conhecer as responsabilidades que a justiça fixará sobre o acidente. Para isso, será preciso também aguardar o relatório final do BEA sobre as circunstâncias, um trabalho “ainda difícil e longo”, nas palavras de Troadec, que assinalou que não haverá conclusões definitivas até a segunda metade do próximo ano.