O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta terça-feira ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, que atenda às demandas dos manifestantes em seu país porque “nenhum Governo permanece de pé” se não escutar o povo.
“Escute as reivindicações humanitárias (do povo egípcio). Satisfaça o deseja de mudança” e “preste atenção ao povo”, foram os pedidos feitos por Erdogan ao líder egípcio durante um discurso diante de seu grupo parlamentar em Ancara.
O líder turco, um islamita moderado, pediu a convocação de eleições livres e transparentes no Egito para mostrar sua personalidade de “país civilizado”.
“Nenhum Governo permanece de pé isolando seu povo. O Estado é o povo”, afirmou Erdogan diante dos aplausos dos deputados de seu Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP).
Exigiu que não se use a violência contra “a vontade nacional” dos egípcios e criticou que alguns colunistas turcos comparem seu executivo com os autocráticos regimes árabes e chamem a um levantamento civil contra o Governo do AKP.
As duras críticas lançadas por Erdogan a Israel, em oposição na colaboração de Mubarak com esse país, deram ao líder turco a simpatia da rua de inúmeros países árabes.
Por isso, na semana passada, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, pediu ao primeiro-ministro turco que utilize sua influência para mediar as revoltas da Tunísia.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou com Erdogan durante o fim de semana para tratar a situação.
Após o conselho de ministros ocorrido na véspera, o porta-voz governamental turco, Cemil Çiçek, fez um chamado para os manifestantes e a Polícia egípcia afastarem a violência.
“Egito tem importância chave para a paz e a estabilidade em toda a região. Por isso queremos paz e estabilidade no país imediatamente e esperamos que as partes se abstenham de cometer atos violentos”, disse Çiçek.
O ministro de Estado para o Comércio Exterior, Zafer Çaglayan, se reuniu nesta terça com os empresários turcos com investimentos da Tunísia e no Egito, e confirmou que os interesses comerciais turcos nesses países “não sofreram danos” e que por enquanto “não é necessário tomar medidas”.
O volume comercial da Turquia com o Egito e Tunísia não chega aos 3 bilhões de euros anuais, mas a agitação social no mundo árabe elevou o preço do barril do petróleo.
Isso poderia ter efeitos negativos para uma economia turca em rápido crescimento, mas que precisa importar a maior parte de seus recursos energéticos.
O Governo da Turquia, em coordenação com a companhia aérea Turkish Airlines, tirou a mais de 1,5 mil cidadãos turcos do Egito nos últimos dias.