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Mundo

Equador responsabiliza secretário-geral da OEA em crise diplomática

Arquivo Geral

22/07/2010 21h47

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, recriminou hoje o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, por realizar a reunião do Conselho Permanente do organismo que levou à ruptura de relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia.

“Não se deve tratar de forma irresponsável um assunto que poderia pôr em risco a manutenção da paz na região”, afirmou Patiño, que criticou o fato de Insulza ter usado o regulamento da OEA para não adiar a reunião, antes de fazer consultas aos países-membros.

Patiño assegurou que o Equador pediu “insistentemente” ao secretário-geral para que adiasse a reunião, na qual a Colômbia apresentou documentos que comprovariam a presença de guerrilheiros em território venezuelano.

“Entre segunda-feira e terça-feira liguei mais de três ou quatro vezes para adverti-lo”, declarou o chanceler.

Segundo Patiño, o Governo equatoriano enviou a Insulza uma carta no dia 20 de junho na qual pedia “que reconsiderasse a convocação (da reunião) e a adiasse”.

O Equador também queria, de acordo com o ministro, a realização de “consultas com os demais países-membros da região para analisar o atual momento político que poderia afetar o nível de relação entre países” latino-americanos.

Para Patiño, o conflito diplomático entre Caracas e Bogotá já não pode ser solucionado na OEA e, por isso, disse que consultaria o presidente de seu país, Rafael Correa, para buscar saídas por meio da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Patiño lembrou que falou com o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, que lhe pediu a intervenção da Unasul.

O ministro equatoriano também disse que falou com a chanceler colombiana do Governo eleito, María Ángela Holguín.

Na segunda-feira passada em Quito, Holguín declarou que o novo Governo de seu país, presidido por Juan Manuel Santos, tem “a melhor disposição” para recuperar as relações “entre Colômbia e Equador e entre Colômbia e Venezuela”.

“Esperamos que assim seja”, disse Patiño, ao acrescentar que conversará com os chanceleres da Unasul nas próximas horas para tomar uma decisão.

A irritação de Patiño com Insulza também levou o Equador a não conte com a OEA no processo de restabelecimento pleno das relações diplomáticas com a Colômbia, rompidas desde março de 2008, quando forças colombianas atacaram um acampamento da guerrilha em território equatoriano.

“Para efeitos de nossa relação com a Colômbia, nós já não vamos considerar à OEA, evidentemente”, afirmou o chanceler, para quem é possível que já não haja necessidade de uma maior mediação caso as conversas com Bogotá avancem satisfatoriamente.

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