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Enviados de Trump se reúnem Zelensky em Kiev após conversas com Putin

A Ucrânia também anunciou a interrupção dos ataques contra Moscou durante esse período

Redação Jornal de Brasília

06/09/2026 11h30

Foto: AFP

Foto: AFP

Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner reuniram-se neste domingo (6) com o presidente ucraniano Volodimir Zelensky, em sua primeira visita a Kiev, após manterem conversas neste fim de semana com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou.

Por ocasião desta nova rodada de negociações, Putin decretou uma suspensão dos bombardeios contra Kiev por três dias, de sábado a segunda-feira, e afirmou que garantirá a segurança dos emissários dos Estados Unidos. A Ucrânia também anunciou a interrupção dos ataques contra Moscou durante esse período.

Witkoff, empresário próximo do presidente americano Donald Trump, e Kushner, genro do republicano, encontraram-se com Zelensky. O presidente ucraniano adiantou aos jornalistas que assessores europeus de segurança também participarão das conversas.

“A Ucrânia sempre demonstrou uma postura construtiva e continuará a fazê-lo. Queremos acelerar o fim da guerra. A paz é necessária. São necessárias garantias de segurança”, declarou antes da reunião.

O líder ucraniano afirmou que suas propostas estão prontas e destacou a importância de “trabalhar de maneira coordenada, abrangente e realista”.

Desde que passaram a atuar como mediadores no conflito iniciado pela invasão russa de 2022, Witkoff e Kushner visitaram Moscou oito vezes, mas esta é a primeira viagem dos dois à capital ucraniana. Eles chegaram a Kiev de trem, constatou um jornalista da AFP em uma estação ferroviária da cidade.

Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu encerrar a guerra na Ucrânia em 24 horas após retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025. Desde então, nenhuma das rodadas de negociações promovidas por Washington conseguiu produzir avanços concretos para encerrar o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

“Nenhuma esperança”


Iaroslav, morador de Kiev de 29 anos, avaliou que a aguardada visita dos dois enviados americanos é apenas mais uma das “múltiplas iniciativas diplomáticas” já tentadas e disse manter o ceticismo.

Em Moscou no sábado, Witkoff e Kushner “discutiram planos substanciais para os próximos passos, que serão anunciados nas próximas semanas, e esperam ter reuniões igualmente produtivas amanhã (domingo) na Ucrânia”, informou um funcionário da Casa Branca em comunicado enviado à AFP.

Enquanto isso, as hostilidades continuam em outras regiões da Ucrânia e da Rússia.

Na noite de sábado para domingo, Moscou atacou a Ucrânia com 108 drones e mísseis, informou a força aérea ucraniana, que disse ter derrubado a maior parte dos projéteis e detalhou que 11 localidades foram atingidas pelos bombardeios.

Já o exército russo declarou ter neutralizado 258 drones ucranianos lançados contra o território russo durante a noite.

Pelo menos três civis ficaram feridos na Ucrânia em ataques ocorridos entre a noite e a manhã de domingo, enquanto um homem morreu e uma mulher ficou ferida após um ataque de drone ucraniano contra seu veículo na região russa de Belgorod, de acordo com as respectivas autoridades locais.

“Ideia para a paz”


Os esforços diplomáticos estão estagnados, em parte devido ao envolvimento de Washington no conflito com o Irã, enquanto Moscou e Kiev intensificaram os ataques de longo alcance.

Trump não quis detalhar se o plano levado pelos enviados inclui uma eventual cessão de territórios por parte da Ucrânia, hipótese que ele já havia sugerido anteriormente, mas declarou: “Temos uma ideia para a paz”.

Putin assegurou que a Rússia garantirá a segurança dos enviados dos Estados Unidos em Kiev, cidade que tem sido alvo de ataques russos nas últimas semanas.

O assessor do Kremlin Yuri Ushakov classificou a reunião entre os emissários de Trump e Putin como “construtiva, extremamente franca e baseada na confiança”.

“Os representantes americanos prepararam-se minuciosamente para esta viagem. Não apenas reiteraram seu interesse habitual em um fim rápido das hostilidades, mas também apresentaram uma série de ideias sobre possíveis caminhos para um acordo”, afirmou Ushakov aos jornalistas, inclusive da AFP.

A parte russa “expressou confiança na realização dos objetivos estabelecidos”, acrescentou, sem especificar quais seriam.

“A situação, é claro, não é simples”, declarou Putin aos dois enviados em uma ampla sala do Kremlin, segundo imagens divulgadas pela televisão estatal russa.

AFP

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