O enviado especial dos Estados Unidos para o Sudão, thumb Andrew Natsios, disse neste sábado temer uma retomada da guerra civil no Sudão, e descreveu o clima atual entre o Governo sudanês e a região autônoma do sul como “contaminado”.
Em entrevista coletiva concedida após o fim de dez dias de viagem ao país, Natsios disse ter comprovado que a confiança entre o governo do presidente Omar Hassan Ahmad al-Bashir e os líderes do sul está acabando.
“A comunidade internacional deve intervir para que o Partido do Congresso Nacional (do governo) e o Exército Popular de Libertação do Sudão (milícia do sul) recuperem a confiança”, afirmou o enviado.
Segundo ele, as divergências por causa de assuntos relacionados com o tratado de paz estão fazendo com que a confiança entre as partes cesse. O enviado americano disse que o acordo assinado em janeiro de 2005 gerou uma grande mudança, mas que requer agora a intervenção da missão das Nações Unidas para revitalizá-lo.
Ele afirmou que os EUA estão dispostos a fornecer a ajudar que for solicitada. Segundo Natsios, que não descartou a possibilidade de enfrentamentos, as partes concentram milicianos e forças militares nas regiões de Nuba, Nilo Azul e Ebey.
Para ele, a disputa entre o norte árabe muçulmano e o sul cristão animista pela região de Ebey – rica em petróleo – pode levar à situação anterior ao acordo de paz no local.
A guerra civil no Sudão durou mais de duas décadas, e causou a morte de mais de dois milhões de pessoas por causa dos combates, da fome e das doenças que aumentaram devido ao conflito.
Natsios disse que as conversas de paz que serão realizadas no final do mês, na Líbia, proporcionarão uma oportunidade importante para acabar com o conflito na região. Os EUA pressionarão os participantes para conseguir uma solução rápida.
O diplomata acrescentou que, segundo os EUA, a crise não será resolvida com a assinatura de um acordo, mas sim com o retorno das tribos étnicas africanas Al-Four, Al-Zaraua e Al-Mazalid para as terras em que estavam antes de serem expulsas por grupos árabes.
O conflito de Darfur começou em fevereiro de 2003, quando dois grupos rebeldes pegaram em armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da região. Quase 200 mil pessoas já morreram e dois milhões tiveram que abandonar suas casas e se abrigar em campos de refugiados no Sudão e no Chade, neste que é considerado o pior desastre humanitário deste século.