O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes, expressou hoje ao Conselho Permanente da entidade sua preocupação com a dificuldade de organizar eleições em Honduras em “um mês e dois dias”.
As eleições gerais em Honduras estão inicialmente previstas para o dia 29 de novembro. A OEA não enviará observadores eleitorais caso não haja acordo até essa data sobre a crise política vivida no país.
Para o diplomata brasileiro, “é um tempo extremamente curto para organizar eleições absolutamente transparentes e que deem credibilidade. A realização de eleições nas circunstâncias atuais significa que dificilmente poderão ser justas e transparentes”.
Embora a crise em Honduras não fizesse parte da ordem do dia da reunião na OEA, o assunto foi trazido à tona por Casaes.
Com isso, a falta de avanços no diálogo acompanhado pela OEA em território hondurenho voltou a deixar o ambiente tenso no Conselho Permanente do organismo.
Nesta quarta-feira, após o discurso de Casaes, os embaixadores da Venezuela, Roy Chaderton, e da Nicarágua, Denis Moncada criticaram abertamente a atuação do enviado da OEA a Honduras, o chileno John Biehl.
Em um tom ácido e irônico, Chaderton destacou que o otimismo de algumas declarações de Biehl demonstra que é um “diplomata eufórico, que dança antes da orquestra chegar”.
Moncada seguiu a linha de seu colega venezuelano e afirmou que as eleições legitimariam o golpe de Estado em Honduras.
“O povo de Honduras está sofrendo. Legitimar o golpe é matar a democracia incipiente nesse país”, disse o nicaraguense.
O embaixador adjunto dos Estados Unidos na OEA, Lewis Amselem, defendeu a atuação de Biehl e afirmou que o chileno é um homem “extremamente firme e honesto” que “não precisa que ninguém o defenda”.
Amselem reiterou a posição de Washington contrária ao golpe de Estado em Honduras e ressaltou que, de todos os países, “os EUA foram o mais ativo em aplicar medidas contra o Governo de fato”.
O diálogo entre as comissões do presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, e o governante de fato, Roberto Micheletti, foi dado como fracassado pelos representantes de Zelaya na última sexta-feira, mas a OEA ainda considera que a crise no país pode ser superada.
Na ocasião, Biehl disse que a OEA “sempre vai acreditara em um acordo” e defendeu que a normalidade retorne a Honduras.