O embaixador do Afeganistão nos Estados Unidos, Said Jawad, afirmou hoje que a saída das tropas americanas de seu país “deveria se basear na realidade” e defendeu as medidas do Governo de Cabul contra a corrupção.
Em declarações ao canal de televisão “CNN”, Jawad afirmou que o prazo de julho de 2011 para o começo da retirada militar dos EUA “francamente não” é uma boa ideia.
“Se há demais ênfase a um prazo que não é realista, você encoraja o inimigo ainda mais, prolonga a guerra. Esse prazo deveria se basear na realidade do terreno”, argumentou Jawad.
Ainda segundo o embaixador, “há esbanjamento e corrupção, mas muito disso não tem nada a ver com o Governo afegão. É o sistema de licitação”, alegou.
Jawad assegurou que o presidente afegão, Hamid Karzai, é um líder “trabalhador e sincero” e que “não há provas claras de corrupção por parte dele ou de sua família”.
Hoje, os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham reiteraram em entrevistas às redes de televisão “ABC” e “CBS”, respectivamente, sua oposição ao estabelecimento de um prazo para o início da retirada das tropas dos EUA do Afeganistão.
Ambos consideraram que seria um erro começar a saída em julho do ano que vem porque isso só incentivaria os talibãs e grupos simpatizantes da rede terrorista Al Qaeda.
Também neste domingo, em Cabul, o general americano David Petraeus assumiu o comando das tropas dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, uma força internacional formada por 130 mil soldados.
“Estamos nisso para ganhar. Chegamos a um momento-chave”, afirmou Petraeus durante uma cerimônia na sede da Otan, na qual também destacou a importância de demonstrar ao povo afegão e ao mundo que a Al Qaeda e seus aliados extremistas não poderão estabelecer santuários no Afeganistão.
Petraeus substituiu o general Stanley McChrystal, que deixou o cargo após criticar publicamente integrantes do Governo americano em uma entrevista à revista “Rolling Stone”.