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Em prisão preventiva, fundador do WikiLeaks lutará contra extradição à Suécia

Arquivo Geral

07/12/2010 17h29

Julian Assange, fundador do polêmico site WikiLeaks, permanecerá em prisão preventiva no Reino Unido até o próximo dia 14, tal como determinou nesta terça-feira um tribunal londrino, onde o ativista continuará lutando contra sua extradição para a Suécia, indicaram fontes judiciais.

Um tribunal londrino determinou nesta terça-feira que Assange fique em prisão preventiva até o próximo dia 14, data para a qual foi fixada uma nova audiência do processo de extradição à Suécia, onde é acusado de estupro e agressão sexual.

O juiz Howard Riddle do tribunal de Magistrados de Westminster rejeitou nesta terça-feira o pedido da defesa para conceder liberdade sob fiança ao réu, ativista australiano de 39 anos.

A negativa do juiz se baseou no argumento apresentado pela promotora Gemma Lindfield referente tanto aos riscos de descumprimento por parte do acusado quanto à própria segurança do réu, que nas últimas semanas publicou milhares de documentos secretos do Departamento de Estado americano.

Com aspecto calmo e pálido, o acusado assegurou nesta terça-feira à corte que lutará contra sua extradição à Suécia, já que, como indicou também seu advogado, Mark Stephens, ele teme que de lá possa ser entregue aos Estados Unidos, onde alguns políticos americanos chegaram a pedir sua execução.

Em uma audiência que durou uma hora, rodeada de grande expectativa midiática, Lindfield, representante legal das autoridades suecas neste processo, levou ao juiz as acusações de estupro e agressão sexual que Assange teria cometido em agosto, na Suécia, contra duas mulheres.

O advogado John Jones, da equipe de defesa do australiano, lembrou que anteriormente um promotor de Estocolmo havia desprezado o caso por “falta de provas” para que, posteriormente, um novo promotor o “ressuscitasse” em outra cidade, Gotemburgo.

“Sob tais circunstâncias”, disse Jones, seu cliente resistia à extradição por considerá-la uma medida “desproporcional”.

Por sua vez, o juiz Riddle entendeu que as acusações eram “extremamente graves”, mas reconheceu que não há detalhes suficientes sobre as denúncias.

“Se forem verdadeiras, ninguém poderia argumentar que se pode conceder a liberdade ao réu sob pagamento de fiança. Mas, se forem falsas, (Assange) sofre uma enorme injustiça se for mantido sob custódia. Neste momento, a natureza e alcance das acusações não são conhecidas”.

Na saída do tribunal, diante de dezenas de jornalistas, o advogado de defesa Mark Stephens antecipou que vai recorrer da sentença para novamente pedir liberdade ao seu cliente, sob pagamento de fiança, e confiou na “imparcialidade da Justiça britânica”.

Stephens, segundo quem o WikiLeaks “continuará divulgando documentos”, apesar da prisão de seu fundador, reiterou seu convencimento de que existe “motivação política” por trás deste processo e duvidou da “solidez das acusações”, que qualificou de “muito frágeis”.

O caso suscitou enorme atenção midiática, levando inúmeros jornalistas a comparecerem à entrada do tribunal, onde também se concentrou um grupo de simpatizantes de Assange com cartazes de apoio.

Nomes conhecidos como o cineasta britânico Ken Loach, o veterano jornalista australiano John Pilger, ativista de direitos humanos, e a milionária Jemima Khan, irmã do deputado conservador Zac Goldsmith, envolvida em causas sociais, ofereceram pagar a fiança de Assange.

Loach, que ofereceu a quantia de 20 mil libras (23.735 euros), da mesma forma que Pilger, qualificou o trabalho de Assange de “serviço público”.

Por sua vez, Pilger, que se declarou amigo pessoal do réu, de quem disse ter “em grande estima”, considerou as acusações apresentadas contra ele de absurdas. “Já foram assim consideradas por um promotor (na Suécia) quando se desprezou o caso, até que um político interveio”, declarou Pilger.

Assange se entregou nesta manhã, de forma voluntária, a agentes da unidade de extradição da Scotland Yard em uma delegacia de Londres, depois de o Reino Unido receber um mandado internacional de prisão emitido pelas autoridades judiciais da Suécia.

Alvo de uma campanha internacional de boicote, o site WikiLeaks deixou de ser hospedado na semana passada por servidores americanos, tendo portanto de ser transferido a um servidor na Suíça.

O portal, segundo o advogado Mark Stephens, está sendo alvo de “um enorme número de ciberataques” por ter divulgado nos últimos dias o conteúdo de milhares de documentos secretos da diplomacia dos EUA, com informações confidenciais sobre líderes e Governos de inúmeros países.

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