Cerca de 13 milhões de italianos vão às urnas neste final de semana para renovar a administração de 11 províncias e mais de 1 mil prefeituras, entre elas Milão, Nápoles, Bolonha e Turim, em eleições consideradas como um teste para o Governo de Silvio Berlusconi, que enfrenta quatro casos judiciais e uma economia estagnada.
Neste domingo e na segunda-feira, todos os olhares estão em Milão, onde os conservadores governam há 20 anos e algumas pesquisas prevêm que podem perder o poder e onde a prefeita Letizia Moratti e o aspirante da centro-esquerda Giuliano Pisapia disputam a poltrona da segunda maior cidade italiana.
Milão foi sempre a “fortaleza” de Berlusconi e a cidade símbolo do berlusconismo, por isso que os conservadores apostaram todas as fichas e inclusive o próprio primeiro-ministro reforçou seu apoio a Letizia.
O Partido Democrata (PD), o primeiro da oposição, está convencido que chegará ao segundo turno, previsto para os dias 29 e 30 de maio enquanto a campanha eleitoral milanesa foi dura e não esteve isenta de fortes ataques de Moratti em direção a Letizia, ao acusá-la de frequentar grupos terroristas de extrema esquerda durante os chamados “anos do chumbo”, nos anos 1980.
Por sua vez, Berlusconi se entregou de corpo e alma nessas eleições, pedindo o voto para consolidar e ampliar o poder do centro-direita e assim poder realizar as reformas que pretende, entre elas as da magistratura e a de reduzir os poderes do Presidente da República.
“Devemos mudar a composição do Tribunal Constitucional e também mudar os poderes do Presidente da República, para, como ocorre em todos os Governos ocidentais, conceder mais poderes ao presidente do Governo”, afirmou em um comício em Crotone.
Durante a campanha, Berlusconi acusou os juízes de serem “subversivos” e não economizou desqualificações aos líderes de esquerda, quando os chamou de “comunistas”, e de “desejarem sempre o mal” para a Itália.