O presidente do Governo Transitório da Somália, Sharif Ahmed, e o líder do Parlamento Federal Transitório do país, Sharif Hassan Sheik Aden, que travam uma disputa política, acordaram nesta quinta-feira postergar por um ano as eleições previstas para agosto de 2011, informou o Escritório Político para a Somália da ONU (UNPOS).
No acordo, assinado em Campala e no qual atuaram como mediadores o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, e o representante da ONU para a Somália, Augustine Mahiga, precisa que as eleições deverão ocorrer em 20 de agosto de 2012, segundo um comunicado da UNPOS remitido à Agência Efe.
Pelo pacto, a partir desta quinta-feira o atual primeiro-ministro, Mohammed Abdullahi Mohammed, terá 30 dias para apresentar a renúncia e o presidente designar um novo, mesmo prazo para formar um gabinete, que precisará ser ratificado no Parlamento em até 14 dias.
Até agora, o Parlamento Transitório da Somália não era eleito por votos, cabia aos notáveis dos clãs e os grupos islâmicos designarem os representantes.
O Parlamento, neste período transitório, designou o presidente do país, atualmente Sharif Ahmed, um fundamentalista islâmico relativamente moderado nomeado em janeiro de 2009.
Somália vive uma permanente guerra civil e precisa de um Governo efetivo desde 1991, quando foi derrubado o ditador Mohammed Siad Barre, que deixou o país nas mãos de senhores de guerra tribais, milícias islâmicas e grupos de delinquentes armados.
A fragilidade e o enfrentamento entre as instituições transitórias somalis permitiram nos últimos anos acrescentar seu poder e seu domínio territorial à milícia radical islâmica de Shabab, vinculada à Al Qaeda, que pretende derrubar o Governo transitório e estabelecer um estado muçulmano.