O Egito insistiu hoje na necessidade de criar um “ambiente adequado” para que israelenses e palestinos possam negociar diretamente e considera que o diálogo indireto entre as duas partes ainda não alcançou seus objetivos.
Essas foram as palavras do ministro de Assuntos Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, ao fazer o balanço de uma série de reuniões que transformaram o Cairo hoje na capital da diplomacia do Oriente Médio.
Passaram por aqui hoje o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas e o enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell.
“É preciso plantar as bases para passar de um diálogo indireto a um direto. Está faltando uma ponte que una as necessidades de segurança (de Israel) e a definição dos limites do (futuro Estado) palestino”, afirmou Gheit.
No dia 9 de maio, palestinos e israelenses começaram um diálogo indireto com medicação americana após dois anos de interrupção nas conversas entre as duas partes para buscar um acordo de paz.
Um comitê da Liga Árabe, que apoia estas negociações, fixou setembro como prazo final para avaliar se houve progressos neste diálogo indireto na hora de decidir se convém passar para uma negociação direta.
“Tenho a esperança de que para setembro tenhamos um progresso suficiente que permita as duas partes chegar a conversas diretas”, disse Gheit.
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, se reuniu separadamente com Mitchell, Abbas e Netanyahu, mas nenhum deles fez declarações após estas reuniões, e Gheit se encarregou de falar sobre o tratado em entrevista coletiva.
Foi necessário que uma dos jornalistas quase arrastasse Gheit para a sala de imprensa, onde meia centena de repórteres esperava há cinco horas para que alguém falasse dos resultados das reuniões que estavam sendo realizadas.
“Os israelenses têm que se movimentar, dar passos estratégicos para que os palestinos tenham confiança e comecem a entrar em acordo para chegar nas negociações diretas”, afirmou Gheit.
“O Egito – acrescentou – acredita que as negociações diretas são a solução para chegar a um acordo final, mas para essas negociações deve haver um ambiente adequado”.
Por enquanto, Aboul Gheit disse que o Egito considera que no diálogo indireto com a medicação americana “ainda não foi possível alcançar o objetivo”, embora lembre que ainda faltam várias semanas para o fim do prazo.
A reunião entre Mubarak e Netanyahu, a quinta desde que o israelense se tornou chefe do Governo israelense, no dia 31 de março de 2009, foi acompanhada por um almoço entre representantes dos dois países.
Ali se falou do diálogo indireto e também da ameaça nuclear iraniana, além da insistência egípcia de transformar o Oriente Médio em uma zona livre de armas nucleares, segundo disseram à Efe fontes diplomáticas israelenses.
Posteriormente, o primeiro-ministro israelense se reuniu a sós com o chefe da Inteligência egípcia, Omar Suleiman. No entanto, não foram fornecidas informações sobre esse encontro.
Enquanto o ministro egípcio fazia o balanço das reuniões de hoje, o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, advertiu que não será possível passar automaticamente das negociações indiretas às diretas se não houver avanços em determinados temas.
“Os árabes consideram que passar para o diálogo direto sem garantias por parte dos israelenses vai fazer com que se administre a crise, mas não que se resolva”, afirmou Moussa depois de se reunir com Mitchell, que também não fez declarações.
As reuniões no Cairo foram precedidas de declarações de Abbas em Ramala nas quais se mostrou disposto a retomar o diálogo direto com Israel caso as construções nas colônias israelenses na Cisjordânia sejam interrompidas.
É Netanyahu “quem bloqueia as conversas e tem a chave para que se inicie um diálogo direto”, disse o líder palestino.
Aboul Gheit, em sua entrevista coletiva, insistiu na necessidade de que os mediadores americanos garantam aos palestinos que Israel voltará às fronteiras anteriores à guerra de 1967, parará os assentamentos nos territórios palestinos e Jerusalém Oriental e, além disso, que exista um prazo fixo para a negociação.
“Queremos um tempo limite, e esse tempo está se aproximando”, acrescentou.