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Mundo

Drama de Roberto Saviano exibe riscos do jornalismo investigativo

Arquivo Geral

22/04/2010 14h32

O drama do jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, condenado a viver sob proteção policial depois de ter investigado à máfia Camorra napolitana em “Gomorra”, se tornou hoje o melhor exemplo do risco e das dificuldades do jornalismo investigativo.

Saviano, de 30 anos, e sobre quem recai uma ameaça de morte pela máfia há quatro anos, abriu hoje em Genebra o congresso global de jornalismo investigativo, com um discurso no qual deixou claro que não se arrepende de ter escrito o livro apesar das consequências.

“Minha vida privada de liberdade mostra que as palavras têm poder”, disse, diante de uma audiência de jornalistas de todo o mundo, que assistem até domingo ao Congresso.

As ameaças vieram após o tremendo êxito que obteve “Gomorra”, com mais de 5 milhões de exemplares vendidos em 53 países, o que levou a dizer, em entrevista coletiva posterior, que “essa é a nova fronteira do jornalismo: podes investigar, mas quando te tornas popular estás arriscando a tua vida”.

Com toda sua família obrigada a se mudar para o norte da Itália, e com diversos graus de proteção, Saviano reconheceu que “não acha que seja possível viver assim durante muito tempo”.

“Falar sobre a máfia não é uma maneira de promovê-la, a única maneira de lutar contra ela é falar a verdade, deixá-la no olho do furacão. As palavras de Berlusconi (primeiro-ministro italiano, Silvio) são incríveis, é como dizer que escrever sobre oncologia promove o câncer”, ressaltou.

Explicou que o mais trágico é que Berlusconi “representa a opinião de grande parte da sociedade. No imaginário de uma parte da Itália, quando se fala da máfia, se fala de nossa terra, e por isso é preciso entender à Itália para entender a Berlusconi. O não é o artífice da situação, é o resultado”.

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