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Dólar recua e Bolsa dispara com pesquisas eleitorais e alta de commodities

Bolsa sobe 1,96%, aos 188,8 mil pontos, enquanto investidores repercutem pesquisas para a Presidência, alta das commodities e novas projeções do Focus

Redação Jornal de Brasília

08/09/2026 12h42

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Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS

O dólar está em queda firme de 0,96%, a R$ 5,079, às 11h38, nesta terça-feira (8), com investidores refletindo as novas pesquisas eleitorais, que reforçam um cenário de disputa acirrada no segundo turno da eleição presidencial de outubro. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, tinha queda de 0,35%.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, dispara nesta terça. Às 11h40, a Bolsa registrava alta de 1,96%, aos 188.789 pontos, com investidores também repercutindo as expectativas para a eleição e a alta de commodities, como petróleo e minério de ferro, no exterior. As ações da Petrobras tinham alta de 2,25%, enquanto as da Vale subiam 1,95%.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, diz que a valorização reflete um ajuste positivo do mercado local, que busca recuperar o tempo de inatividade e acompanhar o bom humor externo. Segundo ela, a alta continua sendo sustentada pela força das commodities e pelo fluxo de capital estrangeiro, que vê atratividade nas ações brasileiras diante do cenário global.

Durante o feriado, uma nova pesquisa Quaest mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente empatados em 41% em uma simulação de segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Além disso, pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça aponta que Lula e Flávio Bolsonaro têm, respectivamente, 39% e 34% das intenções de voto no primeiro turno. Na semana passada, eles tinham 37% e 31%, respectivamente.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, diz que o mercado de opções (contratos que dão ao investidor o direito de comprar ou vender um ativo por um preço determinado) também registra forte movimento nos últimos dias. Segundo ele, há um trade eleitoral em torno da possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de melhora do cenário fiscal.

As commodities que influenciam o desempenho da Bolsa são afetadas pelo acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

Por volta das 11h45, o barril do petróleo Brent era negociado em alta de 1,08%, a US$ 98, atingindo o maior preço desde junho, em meio a novos ataques dos EUA e do Irã contra navios petroleiros e uma refinaria de petróleo.

Nesta manhã, instalações da estatal saudita Saudi Aramco, em Jizan, voltaram a ser atingidas. No começo de agosto, os houthis, aliados de Teerã no Iêmen, já haviam atacado uma refinaria da companhia na costa do Mar Vermelho.

No cenário doméstico, o mercado também acompanham os dados do novo boletim Focus, que mostrou que os economistas elevaram a previsão para o PIB deste ano pela primeira vez em mais de dois meses e reduziram a estimativa para a inflação pela segunda semana consecutiva.

Segundo o Focus, os analistas esperam crescimento econômico de 1,93% neste ano, alta de 0,01 ponto percentual em relação à expectativa da semana passada. Foi a primeira elevação da previsão para o PIB desde 29 de junho, quando passou de 1,98% para 1,99%. Depois disso, a estimativa ficou estável por seis semanas e começou a cair até chegar a 1,92% na semana passada.

Para 2028, a previsão de crescimento do PIB caiu de 1,98% para 1,96%.

Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, diz que a combinação de inflação menor e crescimento maior é positiva, mas a melhora foi marginal. A projeção para o IPCA passou de 5,01% para 5%, enquanto a do PIB subiu 0,01 ponto percentual. A estimativa para a Selic, por sua vez, permaneceu em 13,75%.

Para ela, o dado mais relevante da inflação está nas projeções para os anos seguintes. A estimativa para o IPCA de 2027 subiu de 4,28% para 4,29%, enquanto a de 2028 permaneceu em 3,80%. “O mercado enxerga algum alívio imediato, mas ainda não comprou integralmente a história de convergência da inflação nos anos seguintes”, afirma.

A trajetória da Selic reforça esse cenário. O Focus projeta a taxa em 13,75% no fim de 2026, 12% em 2027 e 10,50% em 2028. Apesar da queda de 3,25 pontos percentuais prevista para os próximos dois anos, os juros ainda permaneceriam em dois dígitos ao fim de 2028. Isso mantém a renda fixa competitiva e o crédito caro, além de pressionar a precificação de ativos de risco, como ações.

No exterior, os investidores acompanham as expectativas para a próxima decisão do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano), que definirá a taxa de juros dos Estados Unidos em reunião marcada para 15 e 16 de setembro. Atualmente, os juros americanos estão na faixa entre 3,5% e 3,75%.

Em Wall Street, as bolsas operam em queda. Às 11h47, o Dow Jones caía 1,16%, o S&P 500 recuava 046% e o Nasdaq tinha baixa de 0,38%. Juliana Benvenuto, coordenadora de Alocação e Inteligência da Avenue, diz que o movimento ocorre na primeira sessão após o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, que manteve os mercados fechados na segunda-feira.

Segundo a especialista, os investidores retomam os negócios repercutindo o payroll de agosto, divulgado na sexta. A economia americana criou 162 mil vagas, ante 55 mil esperadas pelo mercado, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1%.

Benvenuto afirma que o dado reforçou as apostas em uma postura mais dura do Fed na reunião de política monetária de 15 e 16 de setembro .

Na última quinta-feira, o diretor do Fed Christopher Waller afirmou que pode defender a manutenção dos juros neste mês caso a inflação americana dê sinais de recuo. O próximo indicador de inflação a ser divulgado é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto, previsto para esta sexta-feira (11).

O Fed prefere o Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) como medida de inflação, mas o indicador só será divulgado em 30 de setembro.

A sinalização de Waller contrasta com a do presidente do Fed, Kevin Warsh, que afirmou, em Jackson Hole, que o banco central terá trabalho a fazer caso a inflação americana não retorne à meta de 2%.
Uma postura mais restritiva do Fed tende a impulsionar o dólar e os Treasuries, títulos do Tesouro americano, e pressionar ativos de mercados emergentes, como o real e a Bolsa.

No Brasil, os juros futuros operam em queda nesta terça-feira. Às 11h50, o DI para janeiro de 2028 avançava para 13,510%, queda de 0,07 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 caia para 14,025%, queda de 0,20 ponto percentual. As Treasuries operavam perto da estabilidade.

Na última semana, o mercado também foi impactado pela crise no STF (Supremo Tribunal Federal).

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.

A retirada do sigilo da investigação, por decisão do ministro André Mendonça, revelou que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país.

Nesta terça, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Na mesma decisão, o ministro também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

Segundo a decisão, o afastamento foi motivado pela produção de um relatório interno da Polícia Federal usado por Moraes para contra-atacar Mendonça.

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