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Documento redigido pelo Tribunal de Justiça da República compromete Lagarde

Arquivo Geral

18/08/2011 10h32

Um documento redigido pelo Tribunal de Justiça da República aponta o envolvimento “pessoal” de Christine Lagarde nos crimes de “cumplicidade em falsificação” e de “desvio de fundos” quando ela era ministra das Finanças da França, em 2008.

Segundo o relatório, divulgado pelo site “Mediapart”, a atual diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) se envolveu “pessoalmente” no processo de concessão de uma indenização milionária ao empresário Bernard Tapie, um procedimento que contou com “diversas irregularidades”.

O texto revela que há “indícios graves que permitem suspeitar que (…) houve uma ação arrumada para outorgar” a Tapie uma indenização que não teria sido concedida pela via judicial.

Os fatos investigados pelo Tribunal de Justiça da República datam de 2008, quando o Executivo aceitou pagar uma indenização de 285 milhões de euros a Tapie pela venda em 1993 da Adidas, que lhe tinha sido confiscada e vendida por um preço inferior ao real.

A Justiça tinha dado razão ao empresário, mas na hora de fixar a indenização o ministério dirigido por Lagarde decidiu por uma arbitragem privada em vez de deixar o caso nas mãos dos tribunais.

Essa decisão justificou a abertura de uma investigação contra Lagarde, já que, segundo um grupo de deputados socialistas, a arbitragem privada decidiu pelo pagamento de uma indenização muito superior a que teria sido estipulada pela justiça ordinária.

O documento do Tribunal de Justiça da República revela que “o processo que conduziu” ao pagamento da indenização “comporta numerosas anomalias e irregularidades”.

Além disso, o documento assegura que Lagarde “parece ter participado pessoalmente dos fatos, em particular, dando instruções de voto aos representantes do Estado” no consórcio público encarregado de pagar a indenização.

O documento judicial revelou ainda irregularidades na constituição da comissão de arbitragem privada. Um de seus integrantes é uma pessoa próxima ao advogado de Tapie, enquanto o outro era dirigente do Partido Radical, no qual milita o empresário.

Apesar disso, o Ministério das Finanças não se opôs a sua presença na comissão de arbitragem.

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