O documentário transmitido nesta segunda-feira pela “BBC” sobre supostos casos de corrupção de dirigentes da Fifa acusou um dos vice-presidentes da entidade, Jack Warner, de Trinidad Tobago, de pedir ingressos no valor de 64.190 euros para a Copa do Mundo de 2010 com a intenção de revendê-los.
“Warner é um dos membros intocáveis da Fifa”, afirmou o jornalista Andrew Jennings, protagonista das investigações reveladas por seu programa “Panorama”, que vai ao ar na rede britânica.
Embora a suposta intenção de Warner não tenha se concretizado, o mesmo dirigente, segundo a “BBC”, protagonizou previamente um escândalo semelhante às vésperas do Mundial de 2006, na Alemanha.
O voto de Warner e os dois que ele controla, correspondentes a outros membros da Concacaf, são chaves para as esperanças da Inglaterra de ser escolhida como sede para a Copa de 2018.
Por isso, o primeiro-ministro do Reino Unido, o conservador David Cameron, deverá se reunir com Warner antes da escolha assim que chegar a Zurique, nesta terça-feira, para defender a candidatura.
O documentário divulgou, além disso, os detalhes descobertos graças ao acesso do jornalista a um documento confidencial da empresa de marketing esportiva ISL que inclui uma lista de 175 pagamentos recebidos por três atuais membros de seu Comitê Executivo, com direito a voto na eleição da próxima quinta-feira para determinar as sedes dos Mundiais de 2018 e 2022.
A ISL, que administrava a venda dos direitos audiovisuais das competições da Fifa, quebrou em 2001.
Os três nomes revelados pela “BBC” correspondem ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o dirigente máximo da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, e o mandatário da Confederação Africana de Futebol (CAF), o camaronês Issa Hayatou. Segundo o programa de Jennings, os três teriam aceitdo, em 1990, subornos que valeriam atualmente cerca de 76 milhões de euros.
Segundo Jennings, Ricardo Teixeira foi relacionado a uma empresa com sede em Liechtenstein, a Sanud, por uma investigação no Senado brasileiro que revelou uma suposta transferência irregular de dinheiro entre a companhia e o dirigente.
“O senhor (Joseph) Blatter – atual presidente da Fifa – soube do escândalo durante anos e não ordenou que nada fosse averiguado”, lembrou o jornalista, que tentou falar com o dirigente suíço quando este saía de um carro oficial, mas não obteve resposta.
Por fim, o programa terminou com uma pergunta de seu apresentador sobre se Blatter “tomará ou não medidas contra esses três homens” antes da eleição da sede para as Copas de 2018 e de 2022.