Centenas de dissidentes cubanos divulgaram hoje cartas dirigidas aos presidentes dos Estados Unidos e da Espanha, e também a líderes da União Europeia (UE) e da Igreja Católica da ilha, para reivindicar apoio a seus pedidos de abertura ao Governo.
Os 647 signatários, que dizem agir “em nome da sociedade civil cubana”, pedem ao presidente Raúl Castro que reconheça as organizações independentes e ratifique os pactos internacionais das Nações Unidas assinados por Cuba em 2008, segundo explicou aos jornalistas, em Havana, o dissidente Darsi Ferrer.
O pedido ao Governo, chamado de “Consenso Cívico”, foi remetido mais tarde às instâncias diplomáticas espanhola, americana e europeia, além da Igreja Católica.
O documento ressalta a necessidade de, devido à “crítica realidade” do país, legalizar organizações e projetos, além de ratificar os pactos de direitos civis e políticos, e econômicos, sociais e culturais da ONU.
Ferrer explicou que os dissidentes buscam o apoio dos “atores políticos” que têm maior influência na ilha, como o presidente americano, Barack Obama, o líder espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, o cardeal cubano Jaime Ortega e a Presidência da UE.
Ao se dirigirem a Obama, os dissidentes apontam o “demonstrado compromisso moral” de sua administração e das anteriores “com a liberdade e o respeito aos direitos humanos dos cubanos”.
No caso de Zapatero, aludem à participação da Espanha no processo de diálogo entre a Igreja e o Governo cubano, que resultou na libertação gradual de 32 dissidentes – além de outros 20 que ainda terão igual destino -, todos eles condenados em 2003.
Para Ferrer, a importância da iniciativa é abrigar entre seus signatários “várias correntes e tendências” da sociedade civil para exigir medidas “mínimas e essenciais” ao Governo.
Ferrer não detalhou quais grupos aderiram ao documento e informou que os signatários fizeram-no a título pessoal e não representando as organizações a que pertencem.
A dissidência cubana, que nos últimos meses parece contar com maior tolerância do Governo, nunca conseguiu agir sob uma só voz, e a carta do “consenso cívico” se soma a iniciativas parecidas que não conseguiram prosperar no passado.