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Mundo

Dissidente cubano diz que mudança para Madri é "um exílio forçado"

Arquivo Geral

21/07/2010 20h26

O dissidente cubano Arturo Pérez de Alejo, que passou sete anos e quatro meses na prisão e agora começa uma vida “incerta” em Madri, disse hoje à Agência Efe que sua estadia na Espanha é “um exílio forçado”.

Acompanhado de sua mulher, sua filha pequena e quatro de seus familiares, Alejo chegou hoje a Madri como fizeram na semana passada 11 de seus companheiros de prisão e como farão outros sete que serão libertados nos próximos dias.

Em março de 2003, durante o episódio conhecido como primavera negra, no qual foram aprisionados 75 dissidentes, ele foi acusado de atentar contra a independência de Cuba e de ser um mercenário a serviço de uma potência estrangeira por denunciar casos de violação dos direitos humanos, mediante sua ONG, a Organização Independente de Direitos Humanos Escambray.

“Utilizamos Espanha como um exílio, como um refúgio, porque não há outra alternativa, não tenho outra alternativa. Tenho uma pilha doenças, estou preso e me dão esta possibilidade, e entre estar preso e morrer ali, trato de buscar um respiro aqui”, afirmou.

Em suas primeiras horas de liberdade, ele explicou sua decisão de vir à Espanha onde se sente livre “fisicamente”, graças ao cardeal Jaime Ortega, às Damas de Branco, à morte de Orlando Zapata, à greve de fome de Guillermo Farinãs, ao Governo espanhol e sua Presidência europeia, como enumera.

No entanto, insiste que não tem liberdade, já que se encontra fora de sua terra e longe da parte de sua família que permanece ainda na ilha.

Apesar de tudo isso ele fala de perdão, e diz que seu coração está aberto a ele, embora insista que não deixará de ser quem é, o que representou e o que foi, porque sua liberdade na Espanha é um “exílio forçado”, especifica.

Não esquece também dos dissidentes que preferiram ficar na prisão a abandonar Cuba, nem do resto de presos políticos que permanecem aprisionados “por gosto, por saciar a ira, ou pelo desejo de vingança talvez” do Governo cubano, especifica.

Sobre a possibilidade de sua libertação e a de seus companheiros supor o desbloqueio da ilha, não se pronuncia, embora acredite que o bloqueio “não causou nenhum efeito ao Governo cubano, mais ao povo cubano, porque leva 50 e tanto anos com a mesma política, e daí resolveu?”, questiona.

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