O dissidente chinês Chen Guangcheng quer abandonar seu país junto a sua família no avião da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, que atualmente participa do Fórum China-EUA, em Pequim.
“Minha fervorosa esperança é que minha família e eu viajemos aos Estados Unidos no avião de Hillary Clinton”, assegurou Chen em declarações ao site de notícias americano “The Daily Beast”.
Chen permanece desde esta quarta-feira (2) em um hospital de Pequim, depois de passar seis dias na Embaixada dos EUA na capital chinesa após escapar da prisão domiciliar que sofria em Shandong junto a sua mulher e seus filhos.
O dissidente assegurou a existência de uma forte pressão de funcionários americanos, o que o levou a deixar a legação diplomática e dizer que foi “abandonado” por quem o acompanhou ao hospital.
“Muitos americanos estavam comigo quando entrei no hospital e fui examinado pelos médicos, mas quando me levaram para o quarto todos tinham ido embora”, disse ao mesmo site.
Chen abandonou a Embaixada após um acordo entre as autoridades de Pequim e Washington segundo o qual o Governo chinês dava garantias de que poderia reunir-se com sua família, iniciar uma nova vida fora de Shandong e cursar o ensino universitário.
Já os EUA se comprometiam a acompanhar sua situação e a visitá-lo periodicamente para assegurar-se de seu bem-estar, indicou o Governo americano.
Segundo Washington, Chen abandonou sua Embaixada por vontade própria e em nenhum momento pediu asilo político ou manifestou o desejo de abandonar seu país.
O dissidente, por sua vez, declarou que funcionários americanos o advertiram de que, se não aceitasse deixar a legação diplomática, as autoridades chinesas obrigariam sua família, que fora transferida a Pequim, a retornar a Shandong.
Chen, advogado autodidata que perdeu a vista com 5 anos de idade, foi detido em 2005 e condenado em 2006 a quatro anos e três meses de prisão após denunciar abortos e esterilizações forçadas em 7 mil mulheres de sua província.
O advogado, posto em liberdade em 2010 mas que desde então sofreu junto a sua família uma severa prisão domiciliar em Shandong, denunciou que durante essa detenção tanto ele como seus familiares tinham sido vítimas de maus-tratos e surras.