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Diante da pressão de Trump, União Europeia anuncia 200 milhões de euros para a Groenlândia

O bloco aumentou seu foco na Groenlândia desde que Trump começou a insistir que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha por razões de segurança

Redação Jornal de Brasília

07/09/2026 17h04

us president donald trump speaks during a campaign rally for us senator darline graham

Foto: SAUL LOEB / AFP

A União Europeia buscou, nesta segunda-feira, 7, tranquilizar uma Groenlândia apreensiva com a promessa de uma parceria mais forte e centenas de milhões de euros em investimentos, após repetidas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de assumir o controle da ilha. Durante uma visita à capital, Nuuk, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ofereceu € 200 milhões em apoio durante os próximos dois anos para ajudar o país a combater as mudanças climáticas, reforçar as conexões de internet e melhorar usinas hidrelétricas, a pesca e a educação.

O bloco aumentou seu foco na Groenlândia desde que Trump começou a insistir que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha por razões de segurança. Suas declarações persistentes geraram preocupações sobre a soberania, provocando resistência de líderes groenlandeses e dinamarqueses e aumentando as tensões entre os aliados da Otan.

“O futuro da Groenlândia cabe ao povo da Groenlândia e da Dinamarca decidir. Mais ninguém”, disse Ursula von der Leyen. “Integridade territorial, soberania, inviolabilidade de fronteiras. Estes são princípios fundamentais do direito internacional.”

Recursos para o desenvolvimento da Groenlândia

Os recursos também destinam-se a melhorias na habitação, apoio a pequenas empresas e turismo sustentável. Ursula Von der Leyen também afirmou que deseja dobrar o apoio orçamentário do bloco à Groenlândia para cerca de meio bilhão de euros a partir de 2028. “A Groenlândia pode contar com a União Europeia”, disse ela, após assinar uma declaração entre a União Europeia e a Groenlândia com o primeiro-ministro da região, Jens-Frederik Nielsen, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. A Groenlândia é um território semiautônomo da Dinamarca, aliada da Otan.

Nielsen descreveu o bloco de 27 nações da União Europeia como “um amigo leal e de confiança”, notadamente em um momento em que a ilha enfrenta “novos desafios que não podemos enfrentar sozinhos”. “Nestes tempos desafiadores, o seu apoio para conosco é inabalável”, disse ele. “Vocês estiveram ao nosso lado e continuam ao nosso lado. Sentimos isso e somos profundamente gratos.”

Dinamarca e aliados europeus resistem à pressão de Trump

O governo Trump também pressionou a Dinamarca. “Estivemos sob pressão”, disse Frederiksen a jornalistas. “Ficou muito claro, e estamos muito gratos pelo grande apoio que recebemos de nossos parceiros europeus e, aliás, também globalmente.” A Dinamarca e sete de seus aliados europeus enviaram um pequeno grupo de militares à ilha em janeiro, publicamente para exercícios militares focados no fortalecimento da segurança no Ártico, mas com a intenção de demonstrar apoio à soberania da Groenlândia.

Em resposta, Trump ameaçou impor novas tarifas sobre todos eles: Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido. Eles condenaram a medida por minar as relações transatlânticas, e Trump acabou recuando depois que a Otan concordou em reforçar a segurança na região do Ártico.

A visita da presidente da Comissão Europeia ocorre no momento em que 11 países da Otan iniciaram exercícios militares na Groenlândia nesta segunda-feira, envolvendo cerca de 400 militares, incluindo tropas de forças especiais do Canadá, da Dinamarca e da Finlândia treinadas para operar em condições árticas. Nenhuma tropa dos Estados Unidos está participando dos exercícios Arctic Shield, realizados de 7 a 18 de setembro.

Estadão conteúdo

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