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Detenção do governador de Pando atrapalha negociações de paz na Bolívia

Arquivo Geral

16/09/2008 0h00

O Exército da Bolívia deteve hoje o governador do departamento (estado) de Pando, cost o opositor Leopoldo Fernández, viagra approved por desacato ao estado de sítio, page um fato que provocou a interrupção das negociações entre o Governo de Evo Morales e seus opositores para concretizar o processo de diálogo.

No quarto dia do estado de sítio decretado em Pando, os militares ocuparam na capital Cobija a sede do Governo local e detiveram seu chefe, que não resistiu e foi embarcado em um avião.

Nas próximas 48 horas um comando militar pode se colocar a frente da Prefeitura e da administração departamental de Pando, disse ao canal “Unitel” o senador opositor Paulo Bravo, que acompanhou Fernández até o aeroporto de Cobija.

Bravo explicou que o próprio ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, que se encontra em Pando desde que foi decretado o estado de sítio, comunicou “de forma muito clara” esta possibilidade.

A detenção de Fernández acontece depois que a Procuradoria Geral da Bolívia formulasse ontem uma acusação de genocídio contra o governador regional e contra outros dois altos líderes políticos contrários a Fernández, um deles partidário de Morales.

No entanto, o procurador-geral da República, Mario Uribe, assegurou hoje à rádio “Erbol” que ele não ordenou esta detenção e que foi “de absoluta responsabilidade das autoridades que tomaram essa decisão”.

O Executivo de Evo Morales pediu 30 anos de prisão para o governador pandino por instigar o violento enfrentamento armado entre civis ocorrido em 11 de setembro na localidade de Porvir, onde pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 100 seguem desaparecidas.

Hoje, o Governo justificou a detenção de Fernández pelo fato de ele ter desacatado o estado de sítio e defendeu a constitucionalidade da decisão.

O incidente com o governador pandino provocou a interrupção das reuniões mantidas pelo Executivo com seus opositores regionais para concretizar um processo de diálogo que permita resolver a conflituosa situação que vive Bolívia.

Desde o sábado passado, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, e o representante dos autonomistas, o governador regional de Tarija, Mario Cossío, tentam pactuar um documento de pré-acordo que firme as bases da eventual negociação entre as partes políticas em conflito.

Mas ao conhecer a notícia da detenção de Fernández, Cossió abandonou o Palácio do Governo de La Paz.

Roberto Ruiz, um senador de Tarija que foi com Cossío às reuniões, confirmou à Agência Efe que o processo ficou “suspenso, embora não acabado”.

Segundo o senador, o governador opositor e sua delegação estão retornando a sua região para estudar o assunto da detenção, qualificada por ele como “ato abusivo e arbitrário”, principalmente quando estava “praticamente pronto o documento” sobre as bases do diálogo.

Após insistir que as conversas não tinham sido encerradas totalmente, Ruiz afirmou que “a imediata libertação do governador regional Fernández significaria a imediata assinatura do acordo de pacificação nacional”.

A detenção de Fernández provocou uma manifestação espontânea em seu apoio na cidade de Santa Cruz, onde o Comitê Cívico local exigiu a libertação, enquanto sugeria aos cidadãos que “não caiam nas provocações” e que continuem o diálogo com o Governo central.

Em La Paz, antes de a reunião ser suspensa, o presidente Evo Morales afirmou que o documento de trabalho ainda não concluído “pode ser uma base para seguir dialogando”, mas anunciou que o revisará com os movimentos sociais que o apóiam.

Os principais temas da controvérsia entre Governo e opositores são a repartição territorial das rendas petrolíferas, a nova Constituição impulsionada por Morales e o regime autônomo defendidos por líderes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.

Morales se incorporou às conversas com seus opositores agora interrompidas após retornar da Cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), reunida ontem em Santiago do Chile, onde obteve grande respaldo dos chefes de Estado e Governo da região.

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