A 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (LAC-EU, ed na sigla em inglês) foi iniciada hoje em Lima com a firme vontade de se chegar a acordos sobre a pobreza e o meio ambiente, o que colaborou para deixar de lado as polêmicas que envolvem alguns dos países presentes.
O presidente do Peru e anfitrião do evento, Alan García, recebeu os 50 governantes no Museu da Nação, onde será ratificada a Declaração de Lima.
O desafio é encontrar fórmulas para atenuar estes problemas e para isso os presidentes se reuniram, a portas fechadas, em oito diferentes mesas de trabalho.
Na inauguração, o presidente peruano pediu para que se chegasse a “metas concretas” para atenuar a crise de fome e pobreza, um dos eixos centrais da reunião em Lima.
Para tanto, propôs aumentar em 2% a produção agrícola para aliviar a crise alimentícia mundial e defendeu a supremacia da política sobre o mercado.
Este último comentário de García levou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a elogiá-lo, em um ato simbólico que apazigua as tensas relações entre os dois líderes, que protagonizaram nos últimos meses fortes polêmicas.
O venezuelano qualificou de “muito importante” e com “idéias muito boas” o discurso de García.
Além disso, desculpou-se diante da chanceler alemã, Angela Merkel, após os comentários negativos que fez sobre nos últimos dias, ainda em Caracas.
“Não vim aqui para brigar. Fiquei muito satisfeito de apertar a mão da chanceler alemã”, disse Chávez, ao contar que pediu “perdão” a Merkel, reconhecendo que foi muito “duro” em suas declarações.
A aparente calma de Chávez contrastou também com as declarações feitas ontem, em Caracas, onde o líder disse que revisaria as relações com a Colômbia e encorajou a Europa a não temer os Governos de esquerda na América Latina.
Por seu lado, o presidente do Equador, Rafael Correa, também adotou um perfil conciliador sobre outro assunto-chave do debate: as negociações da Comunidade Andina com a UE que buscam um acordo de associação política, comercial e de cooperação.
Correa disse que com “esforço” e “tolerância” pode-se conseguir um acordo e propôs “buscar alternativas” frente às divergências entre os quatro membros da CAN (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) em relação ao tema.
Em todo caso, deixou claro que o Equador não assinará um acordo que prejudique os imigrantes na Europa.
O presidente do Panamá, Martín Torrijos, confirmou hoje que seu país se incorporará plenamente à negociação realizada entre os países centro-americanos com a UE para um acordo de associação política, comercial e de cooperação.
Por sua vez, a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, considerou que a pobreza na América Latina é conseqüência das más práticas políticas.
Em sua opinião, os níveis de pobreza e desigualdade não vêm da mudança climática, “como parece”, mas de políticas concretas desenvolvidas fundamentalmente na região latino-americana e que transformaram a região “não no continente mais pobre, mas sim no mais desigual”.
Diante dos planos dos latino-americanos, o presidente da Eslovênia e do Conselho Europeu, Janez Jansa, disse estar confiante de que a UE está “à altura das expectativas de seus interlocutores” e defendeu a integração como fórmula para o desenvolvimento social.
Assim, solicitou “todos os esforços” para afiançar os laços entre ambos os blocos, enquanto o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, confirmava que o propósito da cúpula é avançar nas negociações “com posições flexíveis”.
O titular do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pottering, defendeu “os valores da democracia” e rejeitou “toda forma de Governo ditatorial ou autoritária”.
Respaldou, além disso, a integração regional como fundamento da associação estratégica entre a UE e a América Latina e disse que os acordos, com os andinos e o Mercosul, deveriam ocorrer “no máximo, até meados de 2009”.
“Só assim seremos capazes de estabelecer, para 2012, a Associação euro-latino-americana”, destacou Pottering.
Os debates dos presidentes se prolongarão até a tarde, quando será divulgada a Declaração de Lima.
Em outro ambiente menos oficial, encerrou-se hoje a III Cúpula dos Povos, com a proposta de apresentar como candidato ao Nobel da Paz o presidente boliviano, Evo Morales.
Também solicitaram a retirada dos “capacetes azuis” do Haiti e a busca de uma “solução negociada” para o conflito colombiano.