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Cultivo de coca e ópio cai em países andinos e Afeganistão, diz ONU

Arquivo Geral

23/06/2010 15h37

O cultivo de coca e ópio diminuiu nos países andinos e no Afeganistão em 2009, mas o de cocaína continua estável na Europa e nos Estados Unidos, e aumenta em países em desenvolvimento, asseguraram hoje as Nações Unidas.

O Relatório Mundial sobre Drogas de 2010, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), foi apresentado hoje pelo diretor-executivo do organismo, Antonio Maria Costa, que esteve acompanhado pelo assessor sobre políticas antidrogas dos EUA, Gil Kerlikowske, e da Rússia, Viktor Ivanov.

A área total dedicada ao cultivo do ópio foi reduzida em 15% em 2009, a 181,4 mil hectares, o que mantém a tendência de declínio de 23% desde 2007.

Sua produção mundial diminuiu de 8.890 mil toneladas métricas em 2007 a 7.754 toneladas métricas em 2009, um declínio de 13%, e a produção potencial de heroína caiu de 757 toneladas métricas em 2007 para 657 toneladas métricas em 2009.

Igualmente, a área total destinada ao cultivo de coca foi reduzida em 5% em 2009, a 158,8 mil hectares, equivalente a um declínio de 13% em 2007 e de 28% desde 2000.

Esse declínio “obedece sobretudo a uma grande diminuição na Colômbia, não compensada pelo aumento registrado no Peru e na Bolívia”, segundo o relatório.

Mesmo assim, em 2009, a Colômbia cultivou cerca de 43% da produção mundial de cocaína, seguida do Peru com 38%, e Bolívia, com 19%, segundo a análise.

A produção estimada de cocaína no mundo diminuiu em 16%, de 1.024 toneladas métricas em 2007 a 865 toneladas métricas em 2008. A produção mundial de folha de coca caiu em 4% em 2009, e 14% entre 2007 e 2009.

Embora a América do Norte conforme quase 40% dos consumidores mundiais de cocaína, o mercado da droga parece estar estabilizado, “provavelmente devido às repercussões na oferta” do combate ao narcotráfico na Colômbia e no México, disse Costa.

No entanto, alertou de “novos perigos” como o aumento do uso de drogas sintéticas e o aumento do consumo de drogas em países em desenvolvimento por onde circula o tráfico dos produtores.

Exemplos destas tendências são o “boom” do consumo de heroína no leste da África, o aumento do uso da cocaína na África Ocidental e o abuso de drogas sintéticas no Oriente Médio e sudeste asiático.

“O aumento do consumo de drogas em países em desenvolvimento pode ser o grande desafio dos próximos dez anos”, advertiu.

O volume de apreensões de cocaína caiu na América do Norte e na Europa, mas aumentou na América do Sul e Central.

As apreensões de opiáceos aumentaram, tanto de heroína como de ópio, e as maiores foram nos países que fazem divisa com o Afeganistão, em particular Irã e Paquistão.

A Rússia e Europa Ocidental são os mercados maiores do mundo para os opiáceos do Afeganistão.

Entre 155 e 250 milhões de pessoas no mundo todo – entre 3,5% e 5,7% pessoas entre 15 e 64 anos – consumiram drogas em 2008, segundo a UNODC.

Os fumantes de maconha foram o principal grupo de consumidores de drogas ilícitas no mundo, com um total de entre 129 e 190 milhões de pessoas, seguidos pelos usuários de metanfetaminas, cocaína e opiáceos.

A maconha continua sendo a droga mais consumida no mundo: entre 2,9% e 4,3% de pessoas entre 15 e 64 anos consomem, principalmente na Oceania e América.

Só o número de consumidores de ecstasy oscila entre 10,5 e 25,8 milhões. A Oceania, Ásia, América do Norte e Europa são, nessa ordem, as regiões com maiores índices de consumo dessa droga.

A UNODC afirmou que é necessário um maior esforço internacional para atingir a meta de erradicar ou reduzir significativamente o consumo e tráfico de drogas até 2019.

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