Cuba lembrará segunda-feira o 40º aniversário da morte de Ernesto Che Guevara com um grande ato em Santa Clara, look cidade onde o guerrilheiro está enterrado e que foi cenário de uma batalha decisiva para a vitória da revolução cubana.
Uma grande escultura do “guerrilheiro heróico”, como Che é conhecido em Cuba, será o destaque do ato convocado para amanhã, que deve ter a participação de cerca de dez mil pessoas.
Segundo meios de comunicação locais, altos dirigentes da revolução e do Partido Comunista de Cuba, companheiros de luta de Che, e familiares do comandante argentino-cubano participarão do ato. O presidente provisório do país, general Raúl Castro, ainda não confirmou presença.
As homenagens ao “guerrilheiro heróico” começaram na semana passada e terminarão em junho de 2008, quando se comemora os 80 anos de nascimento de Che (14 de junho de 1928).
Exposições, palestras, apresentações de livros e shows – como o que um grupo de trovadores latino-americanos liderados por Silvio Rodríguez apresentará esta noite – fazem parte da programação.
Ernesto Che Guevara (1928-1967) conheceu o líder cubano, Fidel Castro, no México em 1956 e se juntou à expedição armada que foi para as montanhas da Sierra Maestra a fim de derrubar o ditador cubano Fulgêncio Batista.
Nos primeiros anos da revolução, Che – que recebeu a nacionalidade cubana pelos serviços prestados à revolução – foi nomeado presidente do Banco Nacional e depois ministro da Indústria.
No entanto, a idéia de incentivar a revolução na América Latina levou Guevara à Bolívia, em 1966. No país, ele foi capturado pelo Exército em 8 de outubro de 1967, em Yuro (centro), e levado para uma escola na aldeia de La Higuera, onde foi assassinado no dia seguinte.
Os restos de Che foram enterrados em uma fossa em Vallegrande (Bolívia) e resgatados em 1997 por uma equipe de especialistas cubanos e argentinos, que os levaram para Cuba. Desde esse ano, os restos mortais de Guevara estão no Mausoléu de Santa Clara, onde há uma estátua de Che com fuzil, uniforme, boina, cabelo e barba desalinhados sobre um pedestal de 16 metros que pode ser visto da estrada que liga as regiões leste e oeste do país, cerca de 300 quilômetros de Havana.
Abaixo da estátua de mais de 20 toneladas de bronze e quase sete metros, há um complexo que abriga um mausoléu e um museu, que recebe a visita diária de 800 a 1.000 pessoas. No mausoléu, uma placa com a efígie e o nome do “guerrilheiro heróico” indica o local onde estão enterrados os restos mortais de Che, junto com vários companheiros. Dentro do museu, o visitante encontrará documentos manuscritos por Che, fotografias e objetos pessoais do guerrilheiro.
Quarenta anos após sua morte, a marca de Che continua presente na propaganda política em Cuba. No entanto, algumas idéias como a defesa da luta armada para transformar a sociedade foram superadas, devido às novas condições vividas na América Latina.
Os estudantes do primário em Cuba repetem diariamente o lema “pioneiros pelo comunismo, seremos como Che”. A imagem do guerrilheiro está em cartazes espalhados pela ilha e o rosto de Guevara está em moedas e notas de três pesos, as mais procuradas pelos turistas.
A imagem de Che tirada pelo fotógrafo cubano Alberto Díaz em maio de 1960 se transformou no símbolo da revolução por excelência, e é provavelmente a mais reproduzida do mundo. A foto pode ser vista em calendários, camisetas, boinas, coletes, lenços, chaveiros, ímãs e até garrafas e relógios de marca.