A crise em alguns países do norte da África e do Oriente Médio, somada às dificuldades enfrentadas pelo Japão, especialmente pelos transtornos registrados na usina nuclear de Fukushima, pode beneficiar a América Latina, opinaram especialistas nesta terça-feira no Uruguai.
A instabilidade observada no norte da África e no Oriente Médio “fará com que os investidores busquem segurança” e isso “abre novas oportunidades de negócios para a América Latina”, avaliou o presidente da Associação Regional de Empresas de Petróleo e Gás Natural da América Latina e do Caribe (Arpel), Milton Costa Filho.
No entanto, os países da região “devem se preparar melhor” quanto ao treinamento de seus funcionários e trabalhar para o clima de negócios e pela redução de impostos, entre outras questões, “para se tornarem mais atraentes a esses investidores”, acrescentou durante a abertura da Conferência Regional Arpel 2011, realizada na cidade uruguaia de Punta del Este.
Costa Filho destacou a vontade do organismo de “colaborar mais” nos “debates e análise” sobre as oportunidades de negócios que se abrem para a América Latina e o Caribe nos setores do petróleo, gás e biocombustíveis.
O presidente da Ancap, a empresa de combustíveis estatal uruguaia, Raúl Sendic, destacou que os recentes eventos internacionais como a crise no Oriente Médio e os problemas com a energia nuclear que o Japão está enfrentando “levam a pensar que cada vez é mais necessário ampliar e diversificar a matriz energética na América Latina e no Caribe”.
Cada vez é “mais necessária” a integração entre “petróleo, gás e a academia para impulsionar as habilidades dos recursos humanos de nossos países”, afirmou.
José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, assinalou por sua vez que ainda “não está muito claro” o que o Japão fará com a usina nuclear de Fukushima.