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Crise do Facebook: Delatora vai se encontrar com o Comitê de Supervisão da rede social

No Twitter, Frances disse que foi convidada pelo órgão para dar seu testemunho sobre as práticas do Facebook

Frances Haugen, delatora do novo escândalo do Facebook, anunciou nesta segunda, 11, que irá se encontrar com o Comitê de Supervisão da rede social, órgão independente que funciona como uma espécie de “Supremo Tribunal Federal (STF)” do Facebook para tratar sobre postagens que devem permanecer ou não no Facebook e no Instagram.

No Twitter, Frances disse que foi convidada pelo órgão para dar seu testemunho sobre as práticas do Facebook. Na mesma mensagem, ela afirmou que a rede social mentiu repetidamente para o Comitê e que espera “compartilhar a verdade” com os seus membros. Criado em maio do ano passado, o Comitê conta com um grupo de 20 pessoas escolhidas pelo Facebook, composto por integrantes da academia e de organizações da sociedade civil especializados em temas de direitos humanos – o painel reúne pessoas de 18 países diferentes e deve chegar a ter 40 membros.

Em uma mensagem postada também nesta segunda, o Comitê disse que novas informações sobre como o Facebook lida com a moderação de conteúdo emergiram por causa das ações de Frances. Assim, o órgão buscará “coletar informações que possam levar a maior transparência e responsabilidade do Facebook”. O Comitê quer saber se a rede social foi totalmente aberta sobre como modera seus conteúdos.

Ex-funcionária do Facebook, Frances é a responsável por colocar a empresa de Mark Zuckerberg no maior escândalo desde o caso da Cambridge Analytica, em 2018, que envolveu a coleta ilegal de dados de 87 milhões de usuários da rede social para afetar os dados das eleições americanas de 2016. Ela detalhou publicamente como o Facebook repetidamente escolheu lucrar e não proteger a segurança de seus usuários.

A delatora tornou públicas pesquisas internas do Facebook que mostram negligência da empresa com a moderação de conteúdo em suas plataformas. As revelações, feitas inicialmente pelo jornal americano Wall Street Journal, indicam que o Facebook aumenta o alcance de publicações de ódio, permite a circulação de conteúdos sobre tráfico humano e de drogas, trata celebridades e políticos com regras diferenciadas e não mantém o mesmo nível de moderação em países fora dos Estados Unidos. Há também detalhes sobre o impacto do Instagram na saúde mental de crianças e adolescentes: os estudos mostram que 1 em cada 3 meninas que se sentiam mal com o próprio corpo ficavam ainda pior ao acessar o Instagram.

O Facebook tem rebatido as acusações, argumentando que as pesquisas estão sendo mal interpretadas. Em texto publicado na quarta-feira, 6, Mark Zuckerberg afirmou que os documentos internos que vieram à público precisam ser visualizados “como um todo”, e que foram retirados de contexto ao serem lidos individualmente.

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O Facebook não comentou o encontro da delatora com o Comitê de Supervisão.

Estadão Conteúdo








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