Violentos confrontos na Costa do Marfim, entre simpatizantes de Alassane Ouattara – reconhecido internacionalmente como o vencedor do pleito presidencial de novembro passado – e tropas fiéis ao líder do governo marfinense, Laurent Gbagbo, foram registrados hoje (2) na cidade de Yamoussoukro, capital do país.
É o terceiro dia de combates entre os grupos rivais, que disputam o controle do palácio presidencial. O paradeiro de Gbagbo é desconhecido. No Oeste da Costa do Marfim, em Duekoue, pelo menos 800 pessoas teriam sido mortas na última semana. Já na capital, testemunhas afirmam ter ouvido tiroteios pesados e bombardeios no centro da cidade, onde os grupos rivais disputam a base militar de Agban.
No entanto, pouco se sabe sobre a situação na cidade. Há informações até de que os soldados que guarnecem a base estariam lutando entre si. O controle da televisão estatal, RTI, parece ter sido recuperado pelos simpatizantes de Gbagbo.
O canal levou ao ar um comunicado lido por um soldado, ao lado de dezenas de integrantes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Gbagbo, no qual ele convocava tropas de todo o país a defender as instituições do Estado.
“As FDS, no sentido de reafirmar a sua determinação e garantir o seu dever soberano de proteger o povo, a propriedade e as instituições da República da Costa do Marfim”, diz a nota, convoca “todo o pessoal das Forças Armadas” a se juntar às cinco unidades baseadas em Abidjan.
Ontem (1º), os Estados Unidos fizeram um apelo para que o presidente Laurent Gbagbo deixe imediatamente o poder, de modo a evitar o agravamento da situação no país. “Nos preocupamos com a violência atual e pedimos para que Gbagbo deixe o poder imediatamente”, disse o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Mark Toner.