Os sul-coreanos aguardam com esperança e certa cautela os resultados da histórica cúpula de três dias que começará amanhã em Pyongyang entre o seu presidente, pill Roh Moo-hyun, cheapest e o líder norte-coreano, Kim Jong-il.
Seul mantém grandes expectativas de que a reunião represente um marco para a obtenção da paz e da unificação dos dois países, que, tecnicamente, estão em guerra há meio século.
No entanto, a desconfiança que a população sente com relação aos vizinhos do norte deixa o tenso ambiente e já provocou pequenas manifestações em Seul.
“Nunca se sabe como os norte-coreanos vão agir e não se pode falar nada até o fim da cúpula”, disse à Efe Kim Jung-hwean, de 35 anos, que almoçava no centro da capital sul-coreana, cuja população é de aproximadamente dez milhões de habitantes.
A reunião de amanhã será a segunda na história entre os líderes da nação coreana, dividida desde 1953. A intenção dos dois é que a cúpula represente um primeiro passo em direção à paz definitiva na península.
O final da Guerra da Coréia (1950-53) foi marcado por um armistício, mas os dois países nunca assinaram a paz. Apesar da tentativa de aproximação, a concórdia ainda não será selada nos encontros que começam amanhã, que, no entanto, incluirão vários gestos simbólicos.
Roh, por exemplo, se tornará o primeiro presidente sul-coreano a cruzar por terra a fronteira, caminhando cerca de 30 metros pela chamada zona desmilitarizada, uma das áreas mais protegidas e com maior presença de soldados do mundo.
O líder sul-coreano, que em dezembro deixará o cargo por não poder se apresentar novamente às eleições, disse hoje que o principal objetivo da cúpula é “o estabelecimento da paz” como caminho para “a prosperidade conjunta e a unificação”.
No centro de imprensa instalado em Seul, o ministro de Unificação sul-coreano, Lee Jae-joung, que fará parte do grupo de 300 pessoas que acompanharão Roh a Pyongyang, reafirmou hoje a vontade do Governo de informar com transparência o que for decidido na reunião.
É esperado algum tipo de ajuda econômica do sul ao norte, um novo compromisso de Pyongyang a favor de sua desnuclearização e declarações favoráveis a regiões industriais na Coréia do Norte semelhantes a Kaesong, onde empresas sul-coreanas utilizam mão-de-obra norte-coreana e o local por meio do qual Roh, em outro gesto simbólico, voltará a seu país.
Nas ruas de Seul, as pessoas se mostravam otimistas em relação à cúpula e possibilidade de a paz ser estabelecida na península. Além disso, pesquisas de opinião mostram que 70% dos sul-coreanos apóiam o encontro.
No entanto, pequenos grupos conservadores se manifestaram contra a cúpula perto da casa presidencial, enquanto outras associações marchavam a favor, informou a rede de televisão pública “KBS”.
Vários cidadãos de entre 21 e 70 anos afirmaram à Efe que a reunião deve servir para o estabelecimento da paz na península e a abertura do caminho para a unificação dos países.
O pastor protestante Lim Myung-ki, de 64 anos, disse que a cúpula deveria tratar das armas nucleares da Coréia do Norte e “ratificar a coexistência pacífica entre os dois países”.
“(A cúpula) Não deve ser utilizada de um ponto de vista político ou estratégico, mas ser um ponto de partida para marcar o ambiente de reconciliação entre os dois países”, comentou Lim, em referência às acusações da oposição conservadora sul-coreana de que Roh estaria utilizando o encontro para fins eleitoreiros.
Kim Ji-hyun, uma jovem de 21 anos, acredita que a reunião servirá de trilho para “a unificação” das duas Coréias. Além disso, ressaltou a importância de o armamento nuclear norte-coreano ser discutido.
Por sua vez, a aposentada Cho Jung-soon, de 70 anos, também considerou positiva a reunião de Pyongyang como uma via para a unificação da nação coreana.