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Continua Impasse no diálogo entre Micheletti e Zelaya em Honduras

Arquivo Geral

23/10/2009 0h00


O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, deu hoje por terminado o diálogo com os representantes do governante de fato, Roberto Micheletti, que, apesar disso, insistiu em uma proposta feita semanas atrás, no sentido de que ambos se afastem e abram passagem a um novo Governo.

A contraproposta apresentada hoje por Micheletti, reiterada em termos similares há meses, foi de novo respondida por Zelaya com uma recusa, ao sustentar que a saída para a crise política causada por sua deposição não é buscar uma terceira pessoa para que governe, mas respeitar a soberania popular.

“A saída para o problema não é realmente buscar outra pessoa para que assuma o cargo, a saída para o problema é respeitar o que o povo diz nas urnas, a soberania popular”, disse à “Radio Globo” da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde permanece desde o dia 21 de setembro, após voltar de surpresa ao país.

O presidente afastado reagiu assim depois que a comissão de diálogo de Micheletti apresentou a contraproposta na qual insistiu em que o presidente de fato está disposto a deixar o poder em favor de uma terceira pessoa se Zelaya desistir em seu propósito de retornar à Presidência.

Esta oferta foi apresentada várias vezes pelo presidente de fato desde o golpe de Estado do dia 28 de junho contra Zelaya, que sempre a rejeitou.

Aquele que é reconhecido pela comunidade internacional como governante legítimo questionou que se em Honduras forem realizadas eleições, que ele ganhou em 2005, “para que os militares se reúnam com os civis e tirem os presidentes, (então) para que são feitas?”

“Eu não tenho nenhuma pretensão, como dizem eles (o regime de fato), além de cumprir com a responsabilidade do mandato que o povo me deu de governar o país por quatro anos”, enfatizou Zelaya, cujo período de mandato termina em 27 de janeiro de 2010.

Na proposta apresentada hoje, a delegação de Micheletti disse que esperará “o dia todo” a resposta da outra parte, apesar de que esta já tenha dado por finalizado o diálogo, após um ultimato dado às autoridades golpistas para que aceitassem que o Congresso decida sobre a restituição do presidente deposto.

A proposta estabelece a aceitação do governante de fato de se “retirar da Presidência da República se o senhor José Manuel Zelaya Rosales desistir de suas pretensões, abrindo passagem assim para um Governo de transição e reconciliação nacional”, segundo o texto lido pela porta-voz da comissão daquele, Vilma Morales.

“Os interesses do senhor Micheletti e do senhor Zelaya devem ser secundários ao interesse de nossa nação”, ressaltou em uma nota a comissão, acrescentando que “a meta deste diálogo não é beneficiar um indivíduo sobre outro”.

Além disso, expressou sua “enorme surpresa” porque a princípio um negociador da outra parte, a quem não identificou, qualificou em um contato telefônico de “positiva” e “na direção correta” uma proposta apresentada ontem, mas que acabou sendo rejeitada.

“Não sabemos o que aconteceu entre esse contato telefônico e o momento em que a proposta foi discutida com o senhor Zelaya. Só podemos visualizar que interesses políticos pessoais ou estrangeiros tomaram prioridade sobre o desejo de nosso povo que este diálogo seja bem-sucedido”, acrescentou a nota.

Zelaya considera que deve ser o Congresso Nacional o responsável por decidir a questão, enquanto o presidente de fato insiste que quem deve fazê-lo é a Corte Suprema de Justiça.

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