O vice-presidente eleito da Colômbia, o ex-sindicalista Angelino Garzón, disse hoje que o Congresso dos Estados Unidos, particularmente o Partido Democrata, “está em dívida moral” por não ter aprovado ainda o Tratado de Livre Comércio com o país andino.
“Não é certo que não tenham aprovado o TLC com um país que fez os maiores sacrifícios em vidas humanas e em recursos econômicos em sua luta contra o narcotráfico, o terrorismo e a atividade criminosa”, disse Garzón em entrevista publicada neste domingo pelo jornal “El Tiempo”.
Garzón, companheiro de chapa do presidente eleito Juan Manuel Santos, ressaltou que isso é “uma derrota para a democracia e um desconhecimento de nossos avanços em direitos humanos”.
O TLC entre Washington e Bogotá foi assinado em novembro de 2006, mas não foi ratificado no Congresso dos EUA com o argumento de que falta muito para fazer na Colômbia em relação a proteção dos sindicalistas e o respeito aos direitos humanos.
“É um pretexto do Partido Democrata e dos sindicatos americanos para esconder o protecionismo”, assinalou Garzón.
Acrescentou que os “‘falsos positivos’ (execuções extrajudiciais de militares contra civis apresentados como guerrilheiros abatidos) foram combatidos e este ano não houve uma só denúncia”.
“O Partido Democrata e os sindicatos americanos não querem reconhecer os grandes esforços da Colômbia para impedir ‘falsos positivos’, massacres, assassinatos de dirigentes políticos, sindicais, de defensores de direitos humanos, de juízes, de magistrados”, ressaltou o vice-presidente eleito.
O Congresso dos Estados Unidos, insistiu, “está em dívida com a Colômbia”. “É como se eu afirmasse que os Estados Unidos violam os direitos humanos por massacres como a da Virgínia Tech ou da base militar do Texas”, acrescentou.