O conflito na fronteira entre Tailândia e Camboja e realizado pelas tropas dos dois países, iniciado ontem, elevou neste sábado para 11 o número de soldados mortos – cinco tailandeses e seis cambojanos – e a cerca de 30 o de feridos, segundo as apurações feitas pelas duas forças armadas.
Um soldado tailandês morreu e outros 11 ficaram feridos em uma nova jornada de hostilidades em um trecho da fronteira que separa a província de Surin, no nordeste da Tailândia, da região norte do Camboja. Os combatentes feridos foram levados ao hospital da cidade de Phanom Dong Rak, a cerca de 15 quilômetros da fronteira.
O coronel Prawit Prawit Hookaew, porta-voz do exército tailandês, afirmou à rede de televisão estatal que a troca de disparos de artilharia e fuzil começou ao amanhecer deste sábado no mesmo local dos confrontos de sexta, perto do templo de Ta Kwai.
O templo de Ta Kwai (Olho de Búfalo, em tradução livre para o português) foi construído durante a era de esplendor do Império Khmer, no século XII e faz parte do complexo arquitetônico de Ta Muen, legado da milenar civilização khmer, cuja soberania é disputada por Tailândia e Camboja.
A série de confrontos em vigor é a primeira entre os dois países desde a ocorrida em fevereiro deste ano nas proximidades das ruínas do templo de Preah Vihear, situadas perto de uma região de 4,6 quilômetros de extensão reivindicada por ambos.
O comandante regional do Exército tailandês, general Thawatchai Samutsakorn, afirmou que os disparos de artilharia foram intensos, e que a retirada de moradores das aldeias espalhadas ao longo desse trecho da fronteira está em andamento. Cerca de 20 mil tailandeses que vivem na região estão abrigados em centros de apoio instalados em colégios públicos e edifícios governamentais.
Enquanto isso, em um discurso transmitido pela rede de televisão estatal, o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, pediu ao governo do Camboja para retomar as negociações bilaterais com o objetivo de evitar uma intensificação do conflito.
Por sua vez, o Camboja, por meio de um comunicado divulgado por seu Ministério da Defesa, condenou em “duros termos estes repetidos atos de agressão”, e informou que “o objetivo aparente da Tailândia é ficar com o controle desses templos, que são cambojanos”.
No início de fevereiro, oito pessoas morreram, incluindo civis, e dezenas ficaram feridas nos combates travados durante quatro dias entre os exércitos dos dois países. Em março, os governos de Camboja e Tailândia aceitaram negociar a disputa com a mediação da Indonésia.
No entanto, a Tailândia mudou sua posição em relação aos termos, e se negou a negociar uma solução com o Camboja, alegando que a presença de observadores indonésios na zona em disputa podia complicar a situação.
O litígio entre estes países ganhou força em 2008 quando o templo foi declarado patrimônio da humanidade, e a Unesco o inscreveu como dentro do território cambojano.
A Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), cuja presidência temporária é exercida pela Indonésia, debateu o conflito em reunião no final de fevereiro, e surgiu a iniciativa da mediação.
O bloco regional é integrado por Mianmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.
A Tailândia admite que o conjunto de Preah Vihear está em território cambojano, tal como sentenciou o Tribunal Internacional de Haia em 1962, mas reivindica uma zona de 4,6 quilômetros quadrados situada nos arredores do templo. Os dois países assinaram em 2000 um protocolo de entendimento.