Pelo menos 11 pessoas, seis delas policiais, morreram durante os confrontos registrados nas últimas 24 horas entre as forças de segurança, leais a Laurent Gbagbo, e os habitantes do bairro de Abobo, em Abidjan, que apoiam Alassane Ouattara.
Uma fonte da Polícia confirmou à Agência Efe que seis agentes foram mortos e que os enfrentamentos mais violentos ocorreram na madrugada desta quarta-feira.
Por outro lado, moradores do bairro que pediram para não serem identificados, disseram que há temores de que haja um número maior de vítimas, embora ainda não tenham sido divulgadas informações concretas a respeito.
Os confrontos começaram quando um contingente da tropa de choque e da Guarda Republicana, equipado com vários furgões e tanques, se deslocou nesta terça-feira a Abobo, o que foi qualificado pelo ministro do Interior, Emille Guirieoulou, como operação “rotineira” contra “delinquentes armados”.
Abobo foi alvo constante das forças de segurança marfinenses desde o início da disputa pós-eleitoral entre Gbagbo e Ouattara e foram feitas reiteradas batidas e ataques da Polícia na região.
Nesta terça-feira, quando as forças de segurança tentaram revistar as casas de Abobo, supostamente em busca de armas, encontraram com uma forte resistência e ocorreram trocas de tiros que foram prolongadas até esta quarta-feira.
Uma patrulha da Operação das Nações Unidas para Costa do Marfim (Onuci) se aproximou de Abobo, mas teve que se retirar após encontrar o caminho bloqueado por barricadas instaladas pelos habitantes do bairro, relatou um comunicado do organismo.
Segundo o texto, durante a retirada, os “capacetes azuis” ficaram em meio ao fogo cruzado e tiveram que atirar em defesa própria.
Segundo a Onuci, o número de mortos confirmados desde o início da violência pós-eleitoral na Costa do Marfim, em 16 de dezembro, já chega a 210, sendo que a maioria é formada por apoiadores de Ouattara.
Esta nova explosão de violência aumentou a tensão no país, onde se teme o reatamento da guerra civil que dividiu a população entre 2002 e 2007 e que apesar de um armistício continua separada.