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Confronto entre guerrilhas deixa 48 mortos na Colômbia

Facções rivais da antiga guerrilha Farc disputam rotas do narcotráfico e mineração ilegal no departamento de Guaviare, em meio à escalada da violência na Colômbia às vésperas das eleições presidenciais

Redação Jornal de Brasília

28/05/2026 13h00

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Foto: Luis Robayo/AFP

Confrontos entre duas facções da extinta guerrilha das Farc deixaram 48 rebeldes mortos na Amazônia colombiana, informou um prefeito local à AFP nesta quinta-feira (28).

Em meio à pior onda de violência da última década na Colômbia e a poucos dias das eleições presidenciais de 31 de maio, as duas facções rebeldes disputam o controle territorial e os lucros do narcotráfico e da mineração ilegal no departamento de Guaviare.

“Os corpos estão amontoados lá; precisam ser removidos”, disse Willy Rodríguez, prefeito de San José del Guaviare, em um telefonema com a AFP.

As autoridades ainda não conseguiram chegar à área e o número de mortos está sendo informado pela comunidade que vive imersa no fogo cruzado.

Vídeos que circulam nas redes sociais registram fortes sons de metralhadora vindos do interior de uma das casas da comunidade da região.

As equipes de resgate esperam que os grupos armados lhes permitam acessar a região remota, que tem alta probabilidade de estar minada, para recolher os corpos.

Chegar até esse ponto a partir da capital regional, San José del Guaviare, leva aproximadamente seis horas em uma caminhonete 4×4, segundo Rodríguez.

– “Viver do narcotráfico” –

Eles têm “um único objetivo, a economia criminosa, viver do narcotráfico (…) É inconcebível, é absurdo”, disse o ministro de Defesa, Pedro Sánchez, à Blu Radio.

“Deslocamos unidades para a área, tentamos fazer isso por via aérea, mas foi impossível por causa das condições meteorológicas, e as tropas estão avançando por terra”, acrescentou.

O Guaviare é um dos bastiões históricos da guerrilha. Este território está hoje em disputa entre grupos dissidentes que viraram as costas para o acordo de paz de 2016 com as Farc.

Os rebeldes se financiam por meio de extorsão, narcotráfico e mineração ilegal em áreas ambientalmente protegidas. Também impõem um regime de terror com toques de recolher e restrições à população.

É comum que dissidentes sob as ordens de Iván Mordisco, o criminoso mais procurado do país, e seus rivais comandados pelo chefe conhecido como Calarcá se enfrentem até a morte para delimitar suas zonas de controle e corredores estratégicos para traficar droga.

Uma fonte do exército disse à AFP que os combates começaram na segunda-feira (25). Não há informação se ainda estão acontecendo.

Em meio a uma sequência de atentados, assassinatos e sequestros perpetrados por grupos armados, a segurança é uma das principais preocupações dos colombianos às vésperas das eleições presidenciais.

O presidente em fim de mandato, Gustavo Petro, o primeiro mandatário de esquerda da Colômbia, tentou, sem sucesso, negociar a paz com todos os grupos criminosos; a oposição o acusa de ser leniente com eles.

AFP

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