Pelo menos 99 pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira (16) em choques entre manifestantes e a Polícia militar próximo à sede do Conselho de Ministros no centro do Cairo, informou o subsecretário do Ministério da Saúde, Adel Adaui.
Em declarações à agência de notícias estatal egípcia, “Mena”, Adaui, que anteriormente tinha falado sobre 36 feridos, detalhou que as vítimas sofreram fraturas e hematomas, e que há pessoas com ferimentos de bala.
A fonte acrescentou que 16 ambulâncias foram transferidas às imediações do edifício do Conselho de Ministros, nas proximidades da Praça de Tahrir, para transportar os feridos.
Os confrontos, iniciados na madrugada passada, ainda continuam na rua Qasr el Aini, ao lado do prédio governamental, disse à Agência Efe o ativista Hisham Ezat, que se encontrava no local.
Ezat explicou que no terraço do edifício do Conselho de Ministros há homens vestidos de civis, mas com corte de cabelo militar, que lançam grandes pedras e garrafas contra os manifestantes que estão embaixo.
Por sua parte, os participantes do protesto, que Ezat calculou em milhares, respondem com pedras e gritam palavras de ordem condenando o ataque e pedindo a punição do chefe da Junta Militar egípcia, marechal Hussein Tantawi.
A televisão estatal egípcia exibiu imagens de homens vestidos de uniforme postados esta manhã no terraço da sede do Conselho de Ministros jogando objetos contra os manifestantes.
Segundo fontes dos serviços de segurança, os choques se desencadearam depois que entre os manifestantes acampados na zona se espalhasse o rumor que um deles, torcedor do clube de futebol Al Ahly, tinha sido preso e espancado por agentes da ordem.
Um médico do hospital de campanha instalado em Tahrir, Mohammed Reda, disse à Efe que ele mesmo viu como se iniciaram os choques ontem à noite quando o torcedor Abudi Ibrahim Abudi foi preso pelas forças de segurança.
Reda ressaltou que ao ver a detenção de Abudi perto da sede do Conselho de Ministros seus amigos se enfureceram e começaram a lançar pedras contra a Polícia militar, que se posicionou no alto do edifício para atacá-los com vários objetos.
Dezenas de pessoas mantêm um acampamento na frente da sede do Conselho de Ministros desde que a praça foi reaberta ao trânsito no último dia 11 de dezembro para protestar contra o novo Governo de transição dirigido por Kamal Ganzouri, primeiro-ministro entre 1996 e 1999 durante o mandato do ex-presidente Hosni Mubarak.
As imediações da Tahrir foram cenário de violentos choques entre manifestantes e a Polícia no final do mês passado, o que originou um grande acampamento na praça contra a Junta Militar e a renúncia do Executivo anterior do primeiro-ministro Essam Sharaf.
Durante o dia de ontem, aconteceu o primeiro turno da segunda etapa das eleições parlamentares em nove províncias do Egito, após a vitória dos islamitas na rodada inaugural do pleito, iniciado no dia 28 de novembro.