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Mundo

Comparadas ao tsunami de 2004, inundações no Paquistão ameaçam crianças

Arquivo Geral

09/08/2010 15h08

As inundações no Paquistão, cujos devastadores efeitos a ONU comparou hoje aos do grande tsunami de 2004, já afetaram 3 milhões de crianças, especialmente vulneráveis às doenças e indefesos diante de uma trágica situação na qual os paquistaneses não veem fim.

Fontes de organismos humanitários alertaram hoje que a crise atual “aumentará consideravelmente” nos próximos meses os casos de desnutrição infantil, um problema já “muito propagado” numa faixa etária – os menores de 18 anos – que no Paquistão representa 44% dos 170 milhões de habitantes.

Óscar Butragueño, coordenador de Emergências para o Paquistão do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ressaltou à Agência Efe que há grande preocupação para que as crianças recebam atendimento médico adequado, pois elas são os alvos “mais vulneráveis” de doenças como a diarreia, cujos casos registrados chegam a milhares, devido às águas contaminadas.

“O acesso à água limpa é fundamental, bem como a garantia de condições mínimas de higiene”, declarou à Efe uma fonte de uma ONG dedicada à proteção infantil.

Para essa fonte, a destruição de grandes terras agrícolas “certamente” causará impactos sobre a alimentação das comunidades afetadas.

As piores inundações dos últimos 80 anos no território criam incertezas no âmbito da educação, pois as chuvas destruíram em poucos dias mais escolas que os rebeldes talibãs o fizeram em três anos. E os centros de ensino que permanecem intactos servem de albergue para milhares de pessoas que perderam seus lares.

“As escolas vão sofrer. Será necessário reabilitá-las”, ressaltou Butragueño, quem estima em cerca de mil o número de escolas que estão sem condições de funcionar.

Além dos problemas mais imediatos, há o potencial perigo de exploração sexual de inúmeras crianças que ficaram órfãs ou distantes dos familiares, entre 300 e 400 segundo estimativas do Unicef – que também cifra em 1,6 mil o número global de mortos desde fins de julho.

A situação das crianças preocupa, assim como o avanço das águas no sudeste do país, onde o rio Indo inundou nas últimas 24 horas pelo menos 620 cidades da província de Sindh, assegurou à Efe um porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres, Ahmad Kamal.

“A estrutura das represas de Guddu e Sukkur resiste, apesar da enorme pressão e de ter algumas brechas. Mas com as chuvas sazonais previstas para esta semana, a situação é todo um desafio”, sustentou Kamal.

Segundo esta fonte, além de Sindh, onde os danos podem ser ainda maiores e se continua evacuando pessoas, as águas voltam a criar problemas em pontos já afetados, “especialmente nas áreas em que confluem dois rios” da vizinha província de Punjab (leste), cujo sistema de canais está bastante danificado.

Um porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Maurizio Giuliano, afirmou hoje à Efe que a catástrofe superou à do tsunami que em 2004 atingiu o Sudeste Asiático, “em termos de desabrigados”, embora não de mortos.

Essa comparação com a catástrofe de seis anos atrás é feita enquanto a ONU está prestes a anunciar à comunidade internacional um plano de assistência imediata para o Paquistão, para o qual solicitará US$ 360 milhões, segundo fontes humanitárias.

Com mais de 15% do território afetado pelas águas, as autoridades paquistanesas estimam em 12,5 milhões o número de desabrigados pela tragédia e em 1.203 o de mortos.

As Nações Unidas, por sua vez, falam de mais de 1,6 mil mortos e entre 6 milhões e 7 milhões de afetados “diretos”.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, voltou pela terceira vez a visitar desabrigados no país, desta vez no sul de Punjab, onde fez um apelo pela necessidade de que “a nação esteja unida”, segundo a emissora “Express TV”.

Por outro lado, o presidente Asif Ali Zardari ainda não o fez. Após mais de uma semana de críticas por sua visita oficial à Europa, já concluída, o líder ainda hoje não tinha previsto retornar ao Paquistão, disse à Agência Efe uma porta-voz dele, evidentemente constrangida pela pergunta.

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