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Como é o estreito no Mar Vermelho que pode ser bloqueado por aliado do Irã

Teerã teria pedido aos houthis que se preparem para bloquear uma das principais rotas marítimas do mundo caso os Estados Unidos ataquem instalações energéticas iranianas

Redação Jornal de Brasília

16/07/2026 15h09

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Foto: AFP

O Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho, tornou-se mais um possível alvo do Irã em meio ao conflito com os Estados Unidos. A agência de notícias Reuters afirmou nesta quinta-feira, 16, que Teerã pediu que os houthis, grupo de rebeldes do Iêmen, se preparem para fechar a via marítima caso os EUA ataquem a infraestrutura de energia iraniana.

Com 32 quilômetros de largura, o Estreito de Bab el-Mandeb – cujo nome significa “a porta das lágrimas” em árabe – está situado entre o Iêmen, a nordeste, e Djibuti e Eritreia, a sudoeste. Ele é uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passam cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima globalmente.

A Administração de Informação Energética dos EUA (EIA, na sigla em inglês) estima que cerca de 4,2 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo estreito por dia no primeiro semestre de 2025, colocando-o em quarto lugar entre os principais “pontos de estrangulamento” do comércio mundial de energia. A passagem também é utilizada por embarcações que transportam outros produtos, como grãos e matérias-primas.

Os houthis controlam a capital, Sanaa, e o noroeste do Iêmen, incluindo o litoral do Mar Vermelho. O grupo já realizou centenas de ataques contra navios que trafegavam pelo Bab el-Mandeb, mas a ofensiva ganhou força a partir de 2023, após o início do conflito entre o grupo terrorista Hamas, aliado dos houthis, e Israel. Os rebeldes alegavam que o objetivo era pressionar os israelenses a aceitarem um cessar-fogo – alcançado em outubro do ano passado.

Duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte regional familiarizada com o assunto disseram à Reuters, sob condição de anonimato, que líderes iranianos discutiram a possibilidade de bloquear o Bab el-Mandeb caso os EUA atacassem a infraestrutura energética do país e, recentemente, transmitiram a mensagem aos aliados houthis.

Outra fonte, próxima aos rebeldes, afirmou à agência de notícias que o grupo concluiu os preparativos para atacar navios na via marítima, com a implantação de mísseis e drones próximos ao estreito, e aguardava a ordem para iniciar a operação. Segundo a Reuters, a decisão final será tomada por líderes da Guarda Revolucionária do Irã, que já estão no Iêmen.

Essa não é a primeira vez que os houthis ameaçam fechar o Bab el-Mandeb em apoio ao Irã. Em março, a agência estatal iraniana Tasnim afirmou que os rebeldes estariam prontos para assumir o controle do estreito “para punir ainda mais o inimigo”. Na época um oficial iraniano, que não teve a identidade revelada, disse à Tasnim que os houthis já haviam comprovado que fechar a rota “é uma tarefa fácil para eles”.

As ameaças levaram a Administração Marítima dos EUA, órgão ligado ao Departamento de Transportes, a emitir um aviso para embarcações comerciais que passam pela região. “Embora o grupo terrorista houthi não tenha atacado navios comerciais desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, os houthis continuam a representar uma ameaça aos ativos dos EUA, incluindo embarcações comerciais, nesta região”, afirmou.

“Embarcações com ligações a Israel, aos EUA ou ao Reino Unido, e qualquer embarcação pertencente a uma frota de grupo ou empresa que faça escalas em portos israelenses, podem estar sob alto risco de terrorismo e outras ações hostis por parte dos houthis ao transitarem pelo sul do Mar Vermelho, pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Golfo de Áden, até novo aviso”, acrescentou. O aviso entrou em vigor em 26 de março e é válido até 22 de setembro.

Um bloqueio do Bab el-Mandeb aumentaria ainda mais a crise energética global, desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã no primeiro dia da guerra com os EUA. A rota marítima chegou a ser reaberta após a assinatura do memorando de entendimento entre os dois países, no mês passado, mas voltou a ser bloqueada após a retomada das hostilidades no início de julho.

Estadão Conteúdo

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