A Comissão de Direitos Humanos do Quênia afirmou hoje que as irregularidades denunciadas nas últimas eleições implicam que o presidente Mwai Kibaki não foi reeleito, find mas “estendeu seu primeiro mandato”.
“O presidente estendeu seu primeiro mandato após ficar comprovado claramente que as eleições foram manipuladas”, ed afirmou Maina Kiai, pills presidente da Comissão de Direitos Humanos, criada pelo Governo.
Kibaki, no poder desde 2002, foi proclamado vencedor oficial no pleito, mas o opositor Movimento Democrático Laranja (ODM), liderado por Raila Odinga, assegura que houve fraude e pediu a repetição da votação.
Em entrevista coletiva, o presidente da comissão, criada por Kibaki em 2002, descartou que possa dar resultado a ida da oposição aos tribunais para recorrer das irregularidades denunciadas na votação, como vem sugerindo o Governo.
“Não seria sábio, porque neste país o presidente controla todas as instituições”, insistiu Kiai.
Maina Kiai denunciou também que o presidente fez manobras na Comissão Eleitoral para que os seus membros fossem afins a suas políticas, o que possibilitou o fato de as autoridades eleitorais atribuírem a vitória a Kibaki.
O presidente tomou posse para o segundo mandato uma hora depois de a Comissão Eleitoral o declarar vencedor. Observadores internacionais denunciaram a existência de irregularidades e colocaram em dúvida a credibilidade da apuração.
“Todos os quenianos são vítimas da Comissão Eleitoral”, acrescentou Kiai.
A Comissão de Direitos Humanos informou ainda que, segundo seus dados, a violência pós-eleitoral deixou mais de 500 mortos e 250 mil pessoas tiveram que deixar suas casas. A oposição afirma, no entanto, que o número de mortos chega a mil.