A Scotland Yard (Polícia Metropolitana do Reino Unido) começa hoje a ser julgada pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, unhealthy executado em 2005 por policiais que o confundiram com um terrorista no metrô de Londres, information pills naquela que, segundo a acusação, foi uma operação policial mal planejada e que trouxe riscos à vida da população.
O eletricista Jean Charles de Menezes, de 27 anos, foi morto a tiros, em 22 de julho de 2005, por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard que o perseguiram até a estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres.
Os policiais o confundiram com um dos autores dos fracassados ataques da véspera contra três estações de metrô e um ônibus.
Por causa do crime, em 2006, a Justiça do Reino Unido decidiu exonerar os agentes envolvidos e processar toda a instituição por desrespeito à Lei de Segurança e Higiene no Trabalho.
Segundo a acusação, durante a operação, a corporação violou a norma de 1974 que obriga as forças policiais a zelarem pela integridade até de quem não é seu funcionário.
“Naquele dia, a Polícia planejou e efetuou uma operação tão ruim que, inutilmente, colocou os cidadãos em risco, e, como resultado (disso), Jean Charles de Menezes morreu”, disse a advogada da acusação, Clare Montgomery, na abertura do julgamento.
Para ela, o “desastre” que esta morte representou “não foi resultado de uma rápida operação que deu errado repentina e inesperadamente”, mas, sim, conseqüência da incapacidade dos policiais envolvidos em levar a cabo “de forma segura e razoável” uma operação planejada.
“A execução de Jean Charles foi um erro horrível e catastrófico. Sua morte poderia ter sido evitada se os acusados tivessem cumprido suas obrigações para com todos os cidadãos de não expô-los a riscos desnecessários”, acrescentou Montgomery.
Em sua argumentação, a advogada contou como um grupo de agentes da unidade de vigilância da Scotland Yard observou o bloco de apartamentos onde o eletricista morava no sul de Londres, o mesmo no qual residia um dos quatro terroristas presos este ano por planejar os atentados fracassados de 21 de julho de 2005.
No entanto, apesar de a operação ter começado mais de quatro horas antes, os oficiais armados da unidade antiterrorista que participavam dela não chegaram a tempo de ver o momento em que o jovem brasileiro saiu do edifício para trabalhar.
Por causa do atraso, os agentes de vigilância é que seguiram o brasileiro em seu trajeto de ônibus até a estação de Stockwell, e, só dentro do vagão do metrô, se encontraram com os oficiais armados.
“É ele”, disse um dos agentes de vigilância apontando para Jean Charles, que se levantou quando os oficiais armados entraram no vagão.
“Ele foi agarrado por um dos agentes de vigilância e empurrado novamente para seu assento. Dois oficiais armados se inclinaram sobre ele, colocaram suas pistolas Glock 9 milímetros contra sua cabeça e atiraram”, contou a advogada.
“Ele recebeu sete tiros na cabeça e morreu na hora”, disse Montgomery, que reiterou que Jean Charles “não estava envolvido em qualquer atividade terrorista”.
Em teoria, a operação “deveria ter sido supervisionada” por oficiais de maior categoria, mas, na realidade, a sala de operações “era barulhenta e caótica”, e “os oficiais que estavam envolvidos na operação precisavam gritar para serem ouvidos”, acrescentou.
Durante o julgamento, que acontece no tribunal penal de Old Bailey, no centro de Londres, e que deverá durar cerca de seis semanas, o júri ouvirá os depoimentos de alguns dos oficiais presentes quando o brasileiro foi baleado. No entanto, os agentes que atiraram em Jean Charles não testemunharão.
Os membros do júri também terão oportunidade de ver as gravações das câmeras de segurança e uma reconstituição do dia do eletricista, assim como os diários policiais escritos pelos próprios oficiais.
A decisão da Promotoria de processar a Scotland Yard apelando para uma lei que normalmente é usada para valorizar a segurança no ambiente de trabalho surpreendeu tanto a Polícia, que tentou em vão deter o processo, como a família do brasileiro, que esperava que os policiais envolvidos fossem acusados de homicídio.
Os parentes pediram que a decisão fosse revista, mas a Justiça britânica rejeitou a solicitação.
Jean Charles foi executado após ser confundido com um dos autores dos ataques fracassados de 21 de julho de 2005 contra três estações de metrô e um ônibus urbano londrino, uma réplica dos atentados cometidos duas semanas antes, que mataram 56 pessoas – incluindo os quatro terroristas suicidas – e deixaram mais de 700 feridos.