A campanha eleitoral para designar o novo primeiro-ministro do Japão começou hoje com todo o favoritismo para o veterano Yasuo Fukuda, this que representa a velha-guarda do Partido Liberal-Democrata (PLD).
Até seu único oponente, o ex-ministro de Exteriores Taro Aso, admitiu hoje sua provável derrota, mas justificou sua candidatura devido à necessidade de realizar um pleito “aberto”, para não dar a impressão de que o primeiro-ministro será eleito “nos bastidores”.
Hoje, Fukuda e Aso abriram oficialmente em Tóquio a campanha para as eleições à Presidência do PLD, que será decidida em 23 de setembro por 528 membros de um partido que dominou os últimos 50 anos da política japonesa.
Dias depois, o vencedor da eleição interna será indicado primeiro-ministro em substituição a Shinzo Abe, graças à clara maioria do PLD na câmara baixa japonesa.
No sábado, os dois únicos candidatos se apresentaram: Taro Aso, de 66 anos e colaborador próximo de Abe, que conta com o apoio certo de apenas dos 16 membros da facção que representa; e Yasuo Fukuda, de 71 anos, ex-ministro porta-voz de Junichiro Koizumi e que é apoiado pelo aparelho do PLD.
A convocação e o início da curta campanha eleitoral, de apenas uma semana, tiveram que ser organizados muito rapidamente, devido à surpreendente renúncia de Abe do cargo de primeiro-ministro, na quarta-feira.
O local escolhido para marcar o começo da campanha foi o movimentado bairro de Shibuya, na capital japonesa, em frente ao famoso cruzamento atravessado por mais de um milhão de pessoas por dia. Antes, os dois candidatos participaram de um ato conjunto para apresentar seus programas na sede do PLD.
Fukuda indicou a necessidade de que o partido “recupere a confiança do povo”, enquanto Aso afirmou que “o Japão precisa ter agora é um líder forte e confiável”, segundo a agência Kyodo.
A liderança e a confiança do povo não foram exatamente características da era Abe, que desde o dia seguinte de sua renúncia está internado em um hospital de Tóquio com uma infecção gastrointestinal causada por estresse, mas continuará como primeiro-ministro até que seu sucessor seja escolhido.
Os dois candidatos defenderam hoje seus programas e pediram votos, apesar de o lugar certo para isso não ser as ruas, mas no partido, onde Fukuda já parece ter tudo bem amarrado. Em um programa da rede pública de televisão “NHK”, Taro Aso reconheceu hoje implicitamente que sua derrota é quase certa.
Embora não tenha respondido nem sim nem não à pergunta sobre a vitória de Fukuda, Aso disse: “Se me retirar, o partido será criticado por ter elegido um primeiro-ministro através de um acordo nos bastidores. Decidi me apresentar, mas apenas pela necessidade de realizar eleições abertas”.
Taro Aso não foi muito favorecido pelo fato de ser tão ligado a Shinzo Abe, que foi criticado pela opinião pública devido aos escândalos de corrupção de seu Governo e não tinha o apoio do aparelho do PLD.
Após os mandatos de Junichiro Koizumi e Shinzo Abe, agora parece que a velha-guarda do PLD voltará ao poder, à qual pertencem nomes de peso como o ex-primeiro-ministro Yoshiro Mori e o titular de Exteriores, Nobutaka Machimura.
De acordo com a agência Kyodo, a agressiva campanha do ex-ministro Taro Aso para suceder Abe jogou contra ele, assim como a surpreendente renúncia do primeiro-ministro, que não agradou a ninguém.
Mori teria dito a um colega de partido que “Aso fez bem até agora, mas no último momento não teve cuidado. Ultrapassou os limites rápido demais”, segundo a Kyodo. Yasuo Fukuda pertence à facção mais numerosa do PLD, formada por 80 membros, e conta ainda com o apoio de oito das nove facções do partido.