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Combates seguem na Líbia apesar do anúncio de retirada das forças de Kadafi

Arquivo Geral

24/04/2011 15h22

A cidade líbia de Misrata ainda é alvo de ataques violentos apesar do anúncio da suspensão das operações militares pelas forças leais a Kadafi, e os bombardeios nestas últimas 24 horas deixaram pelo menos 30 mortos e mais de 100 feridos.

Segundo fontes dos rebeldes, citadas pelas televisões árabes, Misrata, invadida há dois meses pelas forças governamentais, foi bombardeada na noite deste sábado e na manhã deste domingo por mísseis Grad e obuses de carro de combate.

As mesmas fontes informaram que as ruas da cidade foram cenário de combates com metralhadoras entre os rebeldes e as forças kadafistas, inclusive perto de um hospital e de uma escola.

Fontes médicas citadas pela “Al Jazeera” afirmaram que 28 pessoas morreram e 100 ficaram feridas ontem e que se trata do pior balanço registrado em Misrata desde o começo dos distúrbios no país.

Um porta-voz do grupo “Jovens da Revolução de 17 de fevereiro”, disse que entre os mortos figuram pelo menos 15 membros das tropas revolucionárias, e outros 31 com ferimentos graves.

No começo da manhã de hoje, mais três pessoas morreram nos bombardeios, segundo as fontes.

Entretanto, um protesto reuniu milhares de manifestantes no bairro de Zouiyet El Mahdjoub para pedir à comunidade internacional proteção para a população civil e armas para os rebeldes, segundo imagens divulgadas pela “Al Jazeera “.

No entanto, o Governo líbio, por meio do vice-ministro de Assuntos Estrangeiros, Khaled Kaim, anunciou a dois dias, que as tropas regulares se retiraram de Misrata e deixaram o local para que as tribos negociassem o conflito “pelo diálogo em princípio e pela força, caso necessário”.

Este anúncio aconteceu pouco tempo antes de os rebeldes, que tinham retomado a iniciativa, afirmarem que tinham acabado de “libertar Misrata”.

No entanto, os revolucionários consideram que o movimento das autoridades de Trípoli constitui uma manobra. Um porta-voz explicou à Al Jazeera, que as tropas de Kadafi, que efetivamente haviam se retirado da cidade, tentavam se reagrupar após “os confrontos sofridos nas ruas de Misrata”.

As suspeitas dos revolucionários não demoraram a se confirmar, quando o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores líbio, indicou que as forças governamentais não saíram da cidade, mas sim suspenderam temporariamente suas ações militares.

“As forças armadas não se retiraram de Misrata. Só foram suspendidas as operações. As tribos locais estão dispostas a resolver o problema em um prazo de 48 horas. Achamos que esta batalha terá que ser resolvida pacificamente e não militarmente”, manifestou Kaim em entrevista coletiva ontem à noite em Trípoli.

Enquanto isso, os responsáveis líbios parecem querer relançar a opção diplomática e segundo a agência de imprensa tunisiana TAP, o ministro de Relações Exteriores líbio, Abdelati Obeidi, atravessou o ponto fronteiriço de Ras Djedir rumo ao Chipre.

A agência oficial líbia Jana informou que em uma conversa telefônica, o primeiro-ministro Mahmoudi el Baghdadi solicitou ao seu colega grego, Georges Papandreu, que atue como intermediário com a Otan para a cessação dos bombardeios aliados.

Porém, os aviões de combate da Aliança continuaram a atacar e segundo os meios de comunicação líbios, várias cidades, -Trípoli, Sirte, Gharyen, Khoms e Al Assa-, foram bombardeadas e deixaram inúmeros mortos e feridos além de grandes destroços materiais. 

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